• Silvano Formentin

Carnaval em Veneza: o que esperar da tradicional festa italiana

Il gioco, l’amore e la follia é o tema da festa em 2020


A tradicional festa veneziana foi instituída por Doge Vitale Falier em 1094, para que os cidadãos pudessem se divertir antes do início da quaresma. Mas foi apenas em 1296 que a festa foi formalizada pelo senado veneziano no último dia antes da quaresma.


Os venezianos, considerados sérios, aproveitavam a festa para se divertirem e transpor alguns limites. Limites esses que eram mantidos em segredo por meio das máscaras, que escondiam os verdadeiros bagunceiros no meio da multidão.


Mas o carnaval começou a sair um pouco de controle, pois as festividades foram se estendendo por meses e as máscaras eram usadas regularmente para roubos, assassinatos e outros abusos. Então foi necessário uma série de decretos para restringir os atos de pessoas mascaradas.


Em 1339 Veneza proibiu o uso de máscaras à noite; em 1458 o uso em lugares sagrados e 1703 em casas de jogos, que eram muito comuns na cidade.


Os anos de 1700 são considerados o auge do carnaval veneziano, principalmente pela fama que alcançou devido ao escritor Carlo Goldoni e o emblemático aventureiro Casanova.


Mas em 1797 Napoleão tomou o poder da cidade e colocou fim no anonimato e liberdade que a festa trazia para a população. Eram permitidas apenas festas privadas em Murano, Burano e Torcello.


Somente em 1979 que o carnaval retornou e nunca mais saiu do calendário da cidade.

No Brasil costumamos ter concursos de fantasias e máscaras nos blocos de rua, mas algumas coisas são bem diferentes em Veneza.


Começando pelo clima, que interfere muito nos trajes utilizados para festejar. Em fevereiro estamos em pleno verão brasileiro e as roupas utilizadas são minimizadas para curtir a folia. Mas Veneza está situada perto dos Alpes no hemisfério Norte e é possível que neve nesta época do ano, então é bom estar preparado para usar roupas quentes.


A festa se caracteriza pelo uso de máscaras e trajes que tentam reproduzir o estilo dos nobres que viveram no século XVIII. A mais utilizada é a famosa ‘bauta’, máscara branca no formato de um bico, complementada por um chapéu de três pontas, um casaco amplo e uma capa preta de seda.


Há também alguns personagens da Commedia Dell’Arte – representações teatrais muito comuns na Itália e por toda a Europa entre os séculos XVI e XVIII; como pierrôs, colombinas e arlequins.


Pode ser que o clima tenha influenciado em como a festividade é comemorada nos dias de hoje. No Brasil ainda se mantem o lema libertino que a festa tinha em sua instituição, com música, festas de rua e “poucos limites”.


E se por aqui o lema é se divertir dançando muitas músicas, ao chegar na festa veneziana você perceberá que o glamour é imperativo.

Existem muitos turistas na cidade nesta época do ano, mas o foco do evento é a beleza dos trajes e seus detalhes, não mais os jogos e a permissividade que a festa buscava em seu início.


Este ano o público diminuiu, possivelmente devido ao medo do Corona vírus, e alguns bailes foram cancelados. Mas ainda se encontram muitas pessoas na cidade, aproveitando as festividades.


Alguns eventos são fechados e a entrada chega a custar 500 euros por uma festa, mas se você está interessado no “carnaval de rua” vai se surpreender com o calendário do evento. O carnaval veneziano teve seu início a 12 dias, no dia 08 deste mês e se estende até dia 25.


No dia 08 às 19 horas foi realizada a Festa Veneziana sobre Águas – Parte I, o cortejo artístico de barcos no Rio Cannaregio que marca a abertura oficial do carnaval veneziano.



No domingo pela manhã (09), na parte II da Festa Veneziana sobre Águas, barcos decorados partiram da Punta della Dogana às 11h em direção ao Cannaregio.




O Cortejo das Marias aconteceu no dia 15 de fevereiro. O desfile pela Praça São Marcos das doze jovens venezianas mais bonitas surgiu no século IX. Naquela época, os casais prestes a se casar eram benzidos durante a Purificação de Maria. Entre as moças, escolhiam-se doze para receberem joias do doge, que eram usadas em seus casamentos.



Em 973, um grupo de piratas sequestrou as escolhidas daquele ano, mas os venezianos conseguiram resgatá-las e, desde então o cortejo é feito como comemoração deste resgate vitorioso das jovens.


No domingo aconteceu o Voo do Anjo, onde a mais bela Maria (escolhida no ano anterior) faz seu voo do campanário de São Marcos até a praça.






No dia 23 ao meio-dia acontecerá o Voo da Águia na Praça São Marcos. O voo segue o mesmo percurso do Voo do Anjo, mas com um convidado especial. Neste ano a águia será o campeão de downhill Kristian Ghedina.


Ano passado o voo foi realizado pela campeã de atletismo Arianna Fontana, com 8 medalhas olímpicas.



No dia seguinte as festividades continuam na praça com o concurso da melhor fantasia.



Na terça, 25, às 16:30 horas será anunciada a Maria do carnaval 2020. A jovem será o Anjo do carnaval do ano que vem.




Às 17 horas a bandeira com o Leão de São Marcos faz seu voo sobre a Praça São Marcos (Voo do Leão), encerrando o Carnaval 2020 veneziano.




As festividades se encerram na próxima terça-feira, mas a cidade continua como símbolo do carnaval durante todo ano e quem visita Veneza costuma trazer como recordação uma de suas máscaras, mesmo que mais simples do que as usadas nas festividades, para recordação.


Me conte nos comentários qual seu evento favorito entre as festividades do carnaval veneziano e se pretende conhece-lo na sua próxima viagem à Itália.

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