• Tathy Agnellino

Cidades italianas que mereciam aparecer mais nos guias turísticos

Com presença rara nos guias turísticos, estas cidades são cheias de charme e belezas naturais

Quando pensamos em viajar para Itália logo nos vem à mente cidades como Roma, Veneza, Florença, Milão e Pisa e junto com elas a visão de cidade grande, muitas pessoas e aglomeramentos.


Sei que muitas vezes a comodidade nos agrada e as cidades maiores costumam ser mais conhecidas por suas estruturas acessíveis para os turistas.

Mesmo quando buscamos roteiros diferentes, elas sempre estão presentes com seus pontos turísticos e grandes monumentos.


Mas às vezes estamos buscando uma viagem mais tranquila e relaxante, com cidades menores e não por isso desprovidas de belezas e boa culinária.


Pensando em diversificar suas viagens e trazer uma Itália diferente ao destaque dos destinos, eu montei uma lista com três cidades que merecem sua atenção e vão te levar diretamente ao passado:


Assis: a cidade santa


A Itália é conhecida por sua ligação com a religião católica e seu turismo não poderia fugir de suas raízes religiosas.


Entre as principais cidades com turismo religioso, Assis reúne pessoas que desejam conhecer mais sobre Giovanni di Pietro di Bernardone ou buscam uma cidade calma e repleta de história.

A cidade natal de São Francisco de Assis também é onde nasceu Santa Clara, sua seguidora e posteriormente fundadora da Ordem das Clarissas.

Mas quando procuramos por Assis, as primeiras publicações que aparecem são: como conhecer a cidade em um dia e como fazer um “bate e volta” que vale a pena.


Esse não é o objetivo deste artigo.

Vamos respirar fundo, acalmar o passo e conhecer a cidade natal e São Francisco de Assis tranquilamente.


Assis ainda mantém seu antigo aspecto medieval com torres e partes do muro que cercava a cidade.

Os edifícios históricos foram construídos em pedra rosa e branca, retirados do Monte Subásio.


Começando pelo ponto mais famoso da cidade: a Basílica de São Francisco de Assis. O local na verdade é composto por duas basílicas, uma inferior e uma superior, além da cripta, onde jaz São Francisco.

A basílica inferior, que representaria a penitência, começou a ser construída em 1228 e teve seu fim dois anos depois. Os afrescos mostram cinco cenas da Paixão de Cristo à direita, e à esquerda, cenas da vida de São Francisco.


A basílica superior, que representa a glória, possui estilo totalmente diferente, além de ser muito mais iluminada. Sua fachada é em estilo gótico com janelas grandes. Esta basílica possui obras de Cimabue, Giotto, Simone Martini e Pietro Lorenzetti.


Grande seguidora de São Francisco, Santa Clara possui uma basílica em sua homenagem construída entre 1257 e 1265. Como tudo em Assis, essa basílica de arquitetura gótica é muito simples em suas formas, mas possui grandes obras dos séculos XII e XIV.

Na Basílica de Santa Clara você poderá visitar o túmulo da santa e observar objetos e roupas que a mesma utilizou durante sua vida. Aqui você também encontrará o crucifixo, com o qual São Francisco teve a visão que o fez iniciar seus passos religiosos.


As basílicas mais conhecidas são as de São Francisco de Assis e a de Santa Clara, mas a Igreja de San Rufino é o Duomo da cidade. A igreja construída em 1140 e reformada em 1571, foi o local de batismo de São Francisco e Santa Clara. Marcada pela fachada e interior simples, a igreja impressiona pelo piso em vidro transparente, sendo possível ver o seu sítio arqueológico.

Outro monumento muito visitado em Assis é a fortaleza medieval Rocca Maggiore, construída entre 1173 e 1174 d.C. A fortaleza não é mais como antigamente, pois sofre com o desgaste do tempo, ainda assim é uma construção magnífica e imponente.


A Rocca Maggiore fica na parte mais alta da cidade, exigindo uma boa caminhada, com subida acentuada. Mas o esforço é compensado pela vista, pelo aroma de pinho da colina e pelos incríveis becos medievais. Pra quem não pode caminhar, há a opção de subir de taxi também. Suba a torre do castelo e tenha uma vista em 360 graus das planícies férteis da Umbria e da cidade de Assis.


Experimente caminhar pelos muros da fortaleza para descobrir como o castelo foi erguido, destruído, defendido e saqueado várias vezes na época medieval.

E que tal explorar suas passagens internas estreitas para chegar aos locais onde os soldados com seus arcos e flechas se posicionavam para defender o local dos inimigos?


O castelo dentro da fortaleza funciona como museu, expondo relíquias de todos os habitantes do lugar, de Papas até imperadores e possui um grande acervo de armaduras, louças, utensílios e quadros. Se puder, fique no alto da colina até à noite e aprecie um pôr-do-sol como você nunca viu antes.


Vigílias diárias para São Francisco de Assis, são realizadas ao meio dia no pátio do castelo.


Apenas carros registrados de moradores podem circular no centro da cidade, mas na entrada da cidade há um estacionamento pago para visitantes. Neste ponto é bom observar o tamanho e peso da sua mala, pois será necessário caminhar um pouco até chegar no seu hotel, leve somente o essencial.


Se você está viajando de trem, ao chegar na estação de Assis, será necessário trocá-lo pelo ônibus. A estação de ônibus fica em frente à estação ferroviária.

O bilhete custa poucos euros e pode ser comprado em uma banca de jornal ou pago para o motorista, mas lembre-se de ter dinheiro trocado, pois o motorista não costuma dar troco. O ônibus para nas duas entradas da cidade e alguns pontos ao redor, por este motivo é bom você saber a localização do seu hotel, economizando na caminhada com malas.

Ortigia: um passeio que vai te levar à Grécia


Imagine uma polis grega dentro da Itália, esta é Siracusa. A cidade fundada pelos coríntios em torno de 730 a.C. é considera uma das mais belas cidades da Grécia antiga.


Siracusa é cidade natal do matemático, físico e astrônomo Arquimedes e seu suposto túmulo fica perto do Portão do Agrigentino.


Padroeira da cidade, Santa Lucia, nasceu em Siracusa e por não abandonar o cristianismo para adorar os deuses romanos, foi decapitada por ordem do imperador Diocleciano.


Em seu parque arqueológico você pode encontrar o maior teatro grego da Sicília!

Com 140 metros de diâmetro e suas arquibancadas (escavadas nas rochas) foi palco para lutas de gladiadores e Jogos Olímpicos.

A ilha de Ortigia é considerada a cidade velha de Siracusa e após passar a ponte Umbertina você vai encontrar uma certa tranquilidade nas ruas. Os habitantes e turistas se locomovem normalmente a pé e alguns lugares de estacionamento estão reservados para moradores.


Se você pensa em viajar de carro, encontrará alguns estacionamentos pagos na chegada a ilha, não se preocupe.


Passeie pelas ruelas até encontrar a Piazza Duomo, cercada por belos prédios para você se vislumbrar. Entre as belíssimas construções estão o Palácio Municipal, o Palácio do arcebispo, o Palácio Beneventano del Bosco (palácio particular que é aberto para visitação) e a biblioteca da cidade.

O Duomo destaque-se entre as construções devido a sua beleza. A catedral foi construída sobre um templo grego do século V dedicado a Deusa Atena.


Mas nesta praça existe uma grande surpresa.

Sendo modesta ao lado do Duomo, a Igreja de Santa Lucia conta com uma obra de Caravaggio retratando o enterro da padroeira da cidade.


Quase na saída da ilha, você encontrará o Templo de Apolo, mais antigo templo dórico da Sicília. O local já passou por muitas transformações, já foi uma mesquita e um quartel espanhol. Durante a época em que serviu de quartel espanhol, se iniciaram escavações que levaram ao que se vê nos dias de hoje.


Mas não vá embora ainda! Não sem conhecer a culinária local!


Ao lado do Templo de Apolo, você encontrará o Mercado de Ortigia. Mesmo sendo uma atração um pouco mais movimentada, é um passeio que enche os olhos e nos faz salivar, principalmente para os amantes das feiras de rua.


Entre a grande variedade de frutas, peixes e frutos do mar, embutidos, tomates, azeites, legumes, frutas secas e queijos sicilianos, acho difícil quem resista e não saboreie alguma coisa.


O mercado funciona na parte da manhã e começa a ser desmontado próximo ao meio-dia, mas nas proximidades existem outros restaurantes que funcionam até mais tarde.


O aeroporto mais próximo de Siracusa é o de Catania, que oferece serviço de ônibus direto para a cidade. O tempo de viagem é um pouco mais de uma hora.


Pode-se também pegar um ônibus ou táxi do aeroporto para a estação ferroviária de Catania e, em seguida, viajar de trem para Siracusa. A estação ferroviária fica a 20 minutos a pé do centro da cidade antiga.


Saturnia: as águas com propriedades medicinais


A última cidade da nossa lista não tem grandes basílicas ou atrações medievais, aqui vamos apreciar a natureza e seus benefícios.

Localizada na província de Grosseto, no sul da Toscana, Saturnia chama-se assim em referência à Saturno, Deus romano dos ciclos terrestres, da colheita e do tempo.


Diz a lenda que Saturno estava cansado das guerras constantes entre os seres humanos e enviou um raio à terra para pacificar a humanidade. O raio lançado deu origem a uma cratera que expeliu água quente e fumaça com efeito calmante para os humanos.


Além de serem muito relaxantes, como prometia a lenda; as águas possuem uma temperatura de 37,5º, e pela presença de minerais como enxofre, carbono e os gases de sulfureto de hidrogênio e dióxido de carbono se diz que as águas de Saturnia tem propriedades medicinais e podem tratar problemas de pele, digestão, circulação e articulações.


A água viaja muito até chegar até o santuário termal que é Saturnia. Estima-se que ela leva 40 anos para sair das profundezas do Monte Amiata, o segundo maior vulcão da Itália, passar pelas microfissuras das cavernas calcárias, sendo assim filtrada, e finalmente jorrar nas termas de Saturnia, com sua composição ficando rica em gás e sais minerais.

Conhecida a mais de dois mil anos, Saturnia era frequentada por etruscos e romanos, que buscavam benefícios medicinais. E posteriormente as águas eram usadas para alívio das dores musculares, principalmente no século XIX, já que não haviam medicamentos como hoje.


E foi pela divulgação destes benefícios que Cascate del Mulino ficou conhecida, mesmo com tantos remédios que temos atualmente, alguns escolhem os benefícios que a natureza nos dá, de graça!


Sim, as cascatas são abertas ao público durante todo ano e sem taxa para usufruir. Ao seu redor, a natureza e a simplicidade reinam, com muitas árvores, o moinho de pedra, um bar e um estacionamento.


Clique aqui para conhecer o site das Cascate del Mulino


Como uma boa cidade italiana, Saturnia oferece bons restaurantes com a culinária local e os tradicionais vinhos da Toscana no centro da cidade.

Saturnia não possui aeroporto, sendo os mais próximos o Aeroporto Fiumicino em Roma a 150km, o Aeroporto di Firenze Amerigo Vespucci a 202 km ou o Aeroporto Galileo Galilei em Pisa que fica a 207 km.


Pode-se alugar um carro e conhecer as belíssimas paisagens dessa região com tranquilidade ou desfrutar de um passeio de trem, com saídas das estações Grosseto a 57km de Saturnia, Montalto di Castro a 45 km ou na estação de Albinia a 49km.


Muito se fala das belezas extraordinárias do país da bota, mas algumas cidades recebem mais destaques pela sua estrutura turística e pelos grandes monumentos.


Como sabemos, Veneza, Roma, Florença, Pisa e tantas outras tiveram uma grande importância na história italiana e hoje possuem grande força turística, mas existem outras, mais tranquilas e menos tumultuadas que têm a mesma beleza e os seus encantos únicos.


Este artigo teve como objetivo aumentar sua vontade de conhecer o Bel Paese mais a fundo, pois as cidades pequenas possuem também muitas histórias e nos trazem uma ligação única com o passado.


Cada cidade italiana é uma pérola a ser descoberta e terá histórias, monumentos e uma culinária cheia de sabores e aromas únicos.


Me conte nos comentários qual cidade desta lista você já conhecia ou pretende conhecer, ou ainda alguma outra cidade pequena, tranquila e cheia de peculiaridades que te surpreendeu.


E não esqueça de compartilhar este artigo com alguém especial que irá para Itália e não deve perder estes lugares únicos.


Arrivederci!

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