• Silvano Formentin

“Eu não confio em curso online”

Escutei essa frase de uma amiga que estava em dúvida em fazer ou não sua inscrição em um curso que ela ganhou. Resolvi perguntar quais os motivos dessa desconfiança e ambos nos surpreendemos com o resultado...


Antes de tudo, quero esclarecer uma coisa com você, amigo leitor.


Esse não é um texto como os demais desse blog. Não tem relação com a cultura, viagens ou língua italiana, embora a pessoa que inspirou esse relato seja neta de sicilianos.


Mas tirando isso, nenhuma relação.


O texto de hoje é um relato, um compartilhamento de uma conversa que tive recentemente com uma grande amiga, sobre sua dúvida de se inscrever ou não em um curso que ela ganhou.


Permita-me explicar melhor essa situação.


Tudo começou assim...


Encontrei Marcela (nome fictício, obviamente), em uma cafeteria no centro de Florianópolis, em uma terça-feira ensolarada.


Dois dias antes ela tinha me enviado uma mensagem no Instagram, dizendo que tinha ganho uma bolsa de um curso de finanças - a área que ela trabalha - de uma renomada faculdade, e queria me contar os detalhes, além de pedir um conselho. Como já viria à cidade para gravar uma das minhas aulas, marcamos um café.


Nada melhor que um cafezinho para jogar conversa fora

Quando ela chegou, estava eufórica. Me contou sobre o quanto o método do curso era bom com tanto entusiasmo que até eu fiquei com vontade de estudar também.


A experiência e didática dos professores agregaram ainda mais valor ao conteúdo, que já era diferenciado dos demais disponíveis no mercado. E quando abriram as inscrições para uma turma especial, ela não perdeu tempo e fez a solicitação de bolsa no mesmo dia, já que o número de vagas era bem limitado e muito concorrido.


No entanto, eu senti que ela diminuiu a empolgação quando descobriu que essa turma especial, seria de ensino via internet. Perguntei qual era o problema, já que finalmente ela tinha conseguido se inscrever no curso.


- É que eu não confio em curso online, não sei, acho que não vou me adaptar. -

Essa foi a resposta que eu tive. Começamos a conversar sobre as causas dessa desconfiança, e percebemos juntos uma coisa surpreendente. E é justamente isso, meus amigos e amigas, que quero compartilhar com vocês.


As justificativas para não fazer um curso online


A primeira causa apontada foi “acho que não é para meu perfil.”


"-É que eu não confio em curso online, não sei, acho que não vou me adaptar.-"


Olhei para Marcela, a mesma pessoa que dois dias antes tinha usado seu smartphone para marcar nosso encontro via rede social, que chegou naquela cafeteria de Uber e que me contou que viu e fez todo o processo de inscrição via internet, e que agora me dizia que tinha medo de não se adaptar em um ambiente virtual de ensino.

Pense em tudo que você já faz na internet

Ela não percebeu que o ambiente das aulas era muito mais simples do que os que ela já utilizava diariamente. Mas acredite, isso não é exclusividade dela.


É extremamente comum enxergarmos uma proposta diferente do que estamos acostumados como uma coisa totalmente nova, difícil ou ruim, quando nem sempre é. A verdade é que todo mundo já usa a internet, inclusive você que está lendo esse texto. Portanto, acredite, fazer cursos online é também para seu perfil.


Na verdade, eu não preciso desse curso


Logo depois que Marcela e eu percebemos que o uso da internet não era problema, ficou a dúvida da real necessidade do conteúdo.


Pois bem, logicamente que chegamos à conclusão que existiam milhares de conteúdo similares disponíveis gratuitamente na internet (sim, a mesma internet que antes era um problema), e por isso ela não tinha certeza se valia pagar pela inscrição.


Mas concluímos que é justamente o excesso de informação disponível, e a falta de um filtro de qualidade que torna o estudo por conta própria na internet tão ineficaz.


É praticamente impossível para quem está estudando saber qual conteúdo é bom ou não, se essa forma de aprender será mais rápida ou mais demorada, sem falar sobre quando surgirem dúvidas (porque elas sempre surgem), dá ainda mais trabalho procurar as respostas para algo que você nem sabe direito como perguntar. É desmotivador.


Reconhecemos que ela precisava do curso, e usar a internet não era um problema.


O problema é que eu não tenho disciplina para estudar em casa


Já tínhamos tomado mais da metade do café quando começamos a falar de disciplina.


- Por que tu veio até essa cafeteria hoje? - perguntei.


- Ora, porque eu marquei esse compromisso contigo.- falou na hora, dado a obviedade da resposta.


- E o que te faz pensar que você não irá em um compromisso com você mesmo, sendo que nem precisa sair de casa para isso? -


Depois de segundos de silêncio seguido de risadas, constatamos algo muito curioso. É impressionante como subestimamos nosso próprio senso de responsabilidade.


Quando temos um compromisso com alguém, pensamos no horário do encontro já considerando o que temos naquele dia, o tempo que usamos para tomar um banho, trocar de roupa, se deslocar até o local e ainda de estacionar, se for o caso. E pasmem: CONSEGUIMOS ADMINISTRAR TUDO ISSO.


Com uma vida corrida, planejar suas ações é essencial

Então por que não conseguimos fazer o mesmo quando o compromisso é com a gente mesmo, sem a necessidade de sair de casa? Se engana quem acha que a resposta é falta de disciplina. O que falta é planejamento.


O que você faz quando tem um compromisso com alguém?


PLANEJA seu tempo, ORGANIZA o que tem que fazer para que tudo aconteça conforme PLANEJADO. Mas quando é com a gente mesmo, achamos que já está tudo certo, tudo pronto, só chegar e fazer, sem precisar preparar nada. Bom, não está. Por isso seu cérebro não entende aquilo como compromisso, você não avisou para ele que era.


Vou explicar:


Para você cumprir um compromisso, você precisa fazer seu cérebro perceber que existe um compromisso. Minhas dicas para treinar seu cérebro são:


  • Defina um horário para ação;

Esse é o primeiro passo. O erro mais comum de quem acha que não tem disciplina é, na verdade, não definir um horário para fazer a atividade. Nosso cérebro aprende com rotina, então quando você define uma data para um evento, automaticamente você agrega o status de compromisso à atividade.


Quando não há um horário/dia definido, o evento não é prioridade, por isso seu cérebro não considera importante.


  • Organize sua agenda para ter esse horário livre;

Assim como quando marcamos com alguém, temos que considerar a conclusão de outras atividades para antes ou depois do nosso compromisso pessoal. Isso fará com que aquele horário que você definiu na etapa um, ganhe ainda mais importância para você e sua mente.


  • Além do horário, defina também um local próprio para atividade;

Outro erro frequente que cometemos é achar que nossas atividades pessoais podem ser realizadas em qualquer cômodo. No entanto, é extremamente indicado definirmos um local fixo para estudar. Melhor ainda se for um lugar diferente do que você costuma estar momentos antes.


Por exemplo, a Marcela me contou que definiu como dia e horário de estudos toda quarta-feira às 20 horas. Só que até as 19:30, ela fica no quarto lendo. Sugeri que as 20 horas ela fosse para a sala começar a estudar, porque assim a mente dela associa que a mudança de ambiente implica na mudança de atividade. Legal né?


O mesmo ocorre com todos. Definir um local diferente dos demais faz com que nossa mente se acostume com a rotina e o compromisso, associando o ambiente com a atividade do momento.


  • Prepare o ambiente e você mesmo;

Tão importante quanto escolher um local é deixá-lo preparado para a atividade. Não adianta nada escolhermos um ambiente como a varanda, por exemplo, se lá não tiver uma conexão boa com a internet, tiver muitas distrações ou for desconfortável permanecer pelo tempo dedicado a atividade.


Por isso, ao escolher o local, considere tudo que você precisará para executar a atividade, e certifique-se que você não precisará interromper sua concentração, afinal ela é muito importante.


  • Marque na sua agenda;

A dica final foi uma curiosidade levantada pela Marcela, por isso preciso admitir que a dica é dela.


Quando marcamos um compromisso com alguém e nossa agenda é apertada, costumamos marcar em algum lugar para não esquecer, seja no celular, caderno ou até mesmo um papel na geladeira. Mas quando é conosco, não marcamos em lugar nenhum.




Por isso, quando definir uma tarefa, marque esse compromisso com você e salve em algum lugar. Com a vida corrida que vivemos, não é difícil esquecer o que combinamos, mesmo que seja com a gente mesmo.


“Mesmo assim, acho que é melhor se eu tiver que sair de casa”


A frase acima veio logo depois de terminar o último gole de café disponível na xícara de Marcela. Ela completou dizendo que a disciplina não era mais um problema, mas como tinha muitas tarefas acumuladas para fazer em casa, preferia sair.


- Mas vale a pena? - perguntei.

- Na verdade, a inscrição é um pouco mais cara, mas nada muito absurdo...- ela respondeu, sem muita convicção.


Será?


Descobrimos meia xícara de café depois (pedimos mais café, a conversa era boa ), que a diferença era muito maior. Não tínhamos considerado o valor de transporte (Uber, Marcela não tem carro) e alimentação fora de casa, que é bem cara.



Além disso, não tínhamos considerado o tempo investido desde sair de casa, enfrentar o trânsito, levar as coisas para a aula, chamar outro Uber, enfrentar o trânsito de novo e chegar em casa. Todo esse trajeto, consumia pelo menos mais duas horas do dia. Sem contar o stress. Nem a chuva. Ou o frio.


Após a conclusão óbvia que sair de casa não era a melhor opção, chegamos a descoberta que mencionei lá no início desse texto, cari amici.


NÓS SOMOS MAIORES QUE QUALQUER OBSTÁCULO


Foi assim que nossa conversa encerrou. “Pra falar a verdade, nós somos maiores que qualquer obstáculo”, foi a frase que escutei de Marcela.


Eu percebi, (com a ajuda dela), que a maioria das objeções que temos com algo que nunca fizemos somos nós mesmos que criamos. E por isso, cabe somente a nós anulá-las.


Certamente que existem momentos de impasse que precisamos de ajuda, mas o que impede que essa ajuda venha através da internet, como no curso da Marcela?


Aprendemos que quando estivermos achando desculpas, para não fazer determinada atividade que queremos muito, seja por receio de não conseguirmos, ou simplesmente por achar que não iremos nos adaptar, talvez seja nosso cérebro avisando que ainda não entendeu aquilo como prioridade.


O fato é que, como bem disse Marcela, nós somos maiores que qualquer obstáculo.

Acreditar mais em você é o primeiro passo para conquistar seus sonhos

Se você concorda conosco, deixe seu recado aqui nos comentários. É muito gratificante saber que as histórias que compartilho fazem sentido para sua vida.


Até o próximo artigo.

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