• Silvano Formentin

A tradição natalina em meio à pandemia

Itália pretende manter medidas restritivas durante as festividades de final de ano


Vivemos em um ano atípico. Estamos passando por um momento que, para muitos, tornou-se angustiante, e essa sensação aumenta dia após dia de confinamento.


Para alguns, o isolamento está sendo particularmente ainda mais delicado e essa dificuldade pode se agravar no período de final de ano, época em que todos esperam ansiosos por festas típicas e reuniões familiares.

Na Itália, os índices de contágio pelo coronavírus recentemente voltaram a aumentar, com a chamada segunda onda da pandemia. Novas medidas restritivas, com controle e redução de horários de funcionamento do comércio, bares e restaurantes voltaram a ser aplicadas.


A Itália tem atualmente cerca de 1,6 milhão de casos e 54,9 mil mortes na pandemia, mas agora a segunda onda vem finalmente dando alguns sinais de desaceleração, por conta das medidas restritivas aplicadas.


As novas recomendações foram duras, especialmente para o país que, entre março e abril, já havia sido o epicentro da doença no mundo. Como mencionou o Ministro da Saúde da Itália, Roberto Speranza, em entrevista à emissora italiana RAI, “a batalha ainda não acabou”. E, de fato, parece que ainda temos muito a percorrer. O que se espera da população é o sentimento de cooperação.


Dentre as atuais medidas, uma das mais impactantes é a de restrição para reuniões sociais. Além do toque de recolher nacional, às 22h, os bares e restaurantes possuem permissão de ficarem abertos somente até às 18h dependendo da região, e estão proibidos de servirem pessoas de pé, dentro ou fora do estabelecimento, a fim de se evitar as temidas aglomerações.


Em uma tentativa de desacelerar o aumento do número de infecções pelo vírus, o governo recomendou que a população não faça festas em casa, nem recebam um número maior do que seis pessoas em sua residência.

O decreto aconselhou ainda que os italianos usem as máscaras inclusive dentro de casa, quando houver a presença de membros de fora da família.


A situação fica especialmente mais dramática quando lembramos que já estamos próximos das datas festivas. Isso significa que as tradicionais comemorações de Natal e Ano Novo serão, inevitavelmente, diferentes esse ano.


A preocupação do governo em limitar a reunião familiar para as festas de final de ano está na possível consequência que ocorrerá se erros forem cometidos: desencadear uma disparada no número de casos, com uma terceira onda, talvez mais agressiva, acontecendo entre os meses de janeiro e fevereiro.


Parte do medo vem da experiência que os italianos tiveram após o Ferragosto, quando houve um crescimento dos casos após as tradicionais férias de verão, durante o principal feriado da Itália.


Naquela ocasião, milhares de pessoas viajaram e se aglomeraram. É possível então entender que as comemorações de final de ano estão causando uma grande preocupação para o governo.


O governo italiano já se pronunciou no sentido de tentar limitar a ceia de natal, pedindo bom senso da população e restringindo as possíveis aglomerações entre as pessoas da família, aconselhando que tenham apenas seis pessoas no tão esperado jantar.


Numa tentativa de não prejudicar o comércio durante a época do Natal, que já sofreu os impactos da pandemia durante o ano todo, as lojas poderão ficar abertas. Assim tentará se garantir que pelo menos aconteça a típica troca de presentes. Mas em um ano de tantas incertezas, a tradição e o clima natalino já não são mais os mesmos.

Será um Natal sem grandes reuniões. Uma época que nos remete à celebração, família, beijos e abraços, dessa vez precisará ser diferente.


É difícil prever como estará a situação epidemiológica a cada semana, então os cenários estudados precisam considerar que viveremos momentos difíceis, com a necessidade de medidas restritivas durante essas festividades.


Além das festas, outro ponto que preocupa as autoridades é a chegada das férias, que além de aumentarem as ocasiões de convívio típicos da época natalina também significam a prática de brincadeiras e esportes na neve.


As medidas restritivas durante as festividades natalinas, segundo o governo, são pontuais. Mas o impacto disso na vida da população, que sempre esteve acostumada a celebrar as datas, é realmente difícil de mensurar.


O ministro da Saúde da Itália já havia descartado em novembro a possibilidade de haver uma flexibilização nos níveis de alerta de contágio, e recomendou a todos que seja mantida a prudência.


Um Natal diferente e mais sóbrio, com menos encontros e deslocamentos, é o que o ministro aconselha.

O governo da Itália ainda estuda as regras que serão aplicadas durante as últimas semanas de dezembro, no período do Natal, que deverão ser incluídas em um novo decreto.


Há rumores de que esse novo decreto manterá o toque de recolher e o confinamento noturno, o que influenciará diretamente nas comemorações dos dias 24 e 31 de dezembro, as tão aguardadas vésperas de Natal e Ano Novo.


Com isso, continuarão proibidos os deslocamentos noturnos, entre as 22h e 5h da manhã, assim como as viagens entre regiões de zona vermelha e laranja continuam restritas a quem possui um motivo considerado essencial.


Até mesmo a tradicional missa do galo será duramente afetada, e o toque de recolher implicará em uma alteração do horário dessa típica celebração natalina, que precisará ser antecipada em algumas horas.


O coordenador do Comitê Técnico-Científico da Itália, criado para combater a pandemia no país, fez um alerta para todos os cidadãos “esquecerem” as festas tradicionais e imaginarem que terão um Natal mais tranquilo, com tradições familiares, assim como a virada do ano, e ressaltou que não é o momento para reunir diversas pessoas para as festividades de fim de ano.


As festas de Natal e Ano Novo são um dos temas mais debatidos nas reuniões entre as autoridades, que tentam decidir medidas que evitem a propagação do coronavírus e ao mesmo tempo consigam manter o Natal o mais tradicional possível, sem cometer os erros vistos durante o Ferragosto, no verão.


Achatar a curva de contágio. O objetivo comum a todos os países, recaiu de maneira rígida na Itália.


Andrà tutto bene.


O importante é continuarmos em um clima de empatia, cooperação e respeito, e que tenhamos todos o senso de responsabilidade para passarmos por tudo isso juntos.


Finalizo esse artigo com o sentimento de solidariedade a todos que, de alguma forma, foram atingidos por essa pandemia, e deixo meu sincero desejo de que a gente possa superar isso o mais breve possível, juntos.


Caso se sinta à vontade, compartilhe nos comentários suas experiências, vivências e reflexões durante essa época tão atípica em nossas vidas.


Arrivederci!

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