• Tathy Agnellino

O artigo mais difícil que já escrevi

Esse momento de isolamento está sendo muito diferente do que imaginei


Diariamente os casos de contágio pelo COVID 19 aumentam, assim como o número de falecimentos e curas. Mas o bombardeamento de notícias sobre o coronavírus é impressionante e as vezes ficamos em dúvida sobre o que acreditar.


Recebemos inúmeros relatos, vindos do mundo inteiro, pelas redes socias, e nunca antes os meios de comunicação nos fizeram ficar tão conectados e ansiosos ao mesmo tempo.


Com a pandemia adentrando em tantos lares, foi preciso grandes restrições; pois o sistema de saúde não suportará o número de infectados devido a grande taxa de transmissão da doença.


No dia 12 de março tivemos os dois primeiros casos confirmados na minha cidade, Florianópolis. As medidas preventivas como lavar as mãos, aumentar a distância entre pessoas e usar álcool em gel já não pareciam ser suficientes.



Com a modalidade “home working” se intensificando em todos os lugares, e sendo realmente uma opção coerente, comecei a pensar se me adaptaria.


Já trabalhei por quatro anos em casa, mas era em uma empresa diferente e minha produtividade por vezes era afetada. E eu não queria que isso ocorresse novamente.

Durante o final de semana li muitas coisas sobre como conseguir trabalhar de casa. Entre manter a rotina e ter foco e ambiente produtivo. As dicas eram muitas.


Mas nada me preparou para essa situação.


Tentamos nos manter produtivos, focando no trabalho, mas não temos mais como nos desconectar das informações. Não tenho o hábito de assistir televisão, mas por vezes meus pais estão acompanhando o jornal e acabo espiando. Mesmo não fazendo buscas, as informações chegam pelo WhatsApp ou outras mídias.


No fundo sinto que tentei me proteger da realidade, mas isso não funcionou. Precisamos sim estar informados e nos cuidar, evitando que sejamos o transmissor do vírus àqueles mais sensíveis e vulneráveis.


Essa semana tem sido muito intensa para mim; tentar conciliar trabalho, família e todo boom de informações me fez parar por um tempo e refletir o que posso levar de aprendizado deste momento.


1. Ficar em casa e mais nada


Tenho hábito de sair bastante, seja para o trabalho, academia, almoço de família em restaurantes ou reuniões com amigos. Estar em casa, só em casa, é muito estranho para mim.

Agora eu não pego mais ônibus, nem ando de carro ou mesmo saio a pé. Todo esse tempo de transporte e filas foi transformado em tempo em casa.


Tempo esse, que precisa ser preenchido com outras coisas. Estar em casa me fez notar coisas que podem ser melhoradas e como posso me tornar mais parte do local onde moro.


Tento ser criativa e dar novos usos para algo que tenho. Seja fazendo uma coisa de um jeito diferente ou tirando coisas que não uso ou não preciso, afinal pode ser ótimo para alguém.

Sei que tudo voltará ao normal e quando isso acontecer, poderei doar tudo que estou separando.



No horário de almoço eu sento no sol com meu cachorro, cuido das plantas, leio, escuto música, danço fora do ritmo ou monto quebra-cabeça.


Circula na internet uma frase de autor desconhecido que me impactou muito:

“Aos seus avós lhes foi pedido para irem à guerra, a vocês estão pedindo apenas para ficarem no sofá.”

Essa frase sintetiza a ideia de nos isolarmos em casa, mas isso não quer dizer ficar parado. Fique no sofá, estude, fique com quem você ama, escute música, leia aquele livro esquecido na estante, tire um cochilo, escreva um diário contando como está sendo passar por isso.



Use sua criatividade para preencher o tempo extra.


2. Cuidar da saúde


O momento atípico que estamos passando por causa do coronavírus me fez pensar mais sobre minha saúde.


O cuidado com a higiene é noticiado em breves intervalos em todos os meios de comunicação e é o primeiro modo de frearmos a transmissão do vírus. Isso já virou um cuidado.


Mas como estou em casa, tenho refletido sobre minhas refeições e como alimento meu corpo. Procuro informações de bons alimentos, como prepará-los e também como mudar um pouco as refeições tradicionais da minha casa.

Tenho provado novos alimentos.


Lembro quando eu era criança e provei espinafre, não gostei e nunca provei novamente; até semana passada. Não posso dizer que adorei, mas estou me desafiando a preparar refeições com ele e testar novos sabores.



Outra pesquisa que fiz é como congelar alimentos, assim evitamos o desperdício do que não iremos comer agora e podemos facilitar o preparo de algumas receitas mais pra frente.


Piquei e congelei porções de tomates que estavam maduros, assim posso usar em um molho e não desperdicei um alimento que estava bom. Fiz o mesmo com cebolinha, salsa, manjericão, mas ainda podem ser congelados muitos outros alimentos.


Bebo mais água do que normalmente. Beber água já é um hábito para mim, mas agora ele se intensificou e junto com outros hábitos tem ajudado eu me sentir mais forte.


Assim como desejamos consumir alimentos bons, precisamos ter cuidado com as informações que estamos “consumindo”. O estresse diminui nossa imunidade, e assim nossas defesas.


Estamos passando por um momento de alto estresse coletivo, mas precisamos filtrar nossas emoções e buscar por conteúdos que nos deixem alegres e otimistas.


3. Buscar novos conhecimentos


Nessa semana de isolamento acredito ter superado a quantidade de buscas que já fiz na internet e isso tem me ajudado muito a estar informada e poder desenvolver um sistema para me manter psicologicamente forte.


Pesquisei sobre como trabalhar e ser produtiva em casa, cuidar melhor das minhas plantas, como congelar e aproveitar melhor os alimentos, encontrei instituições para doar o que separei após o surto do vírus, vi um documentário sobre terapias alternativas; que me levou a buscar mais sobre meditação, e essas são apenas as principais buscas.


Seja na internet ou nos livros, o importante é que possamos usar este momento de isolamento para continuar nos desenvolvendo e ocupar nosso tempo com atividades positivas.



E com certeza, podemos aproveitar esse tempo para aprender italiano; com séries, filmes, podcasts e fazendo o curso com o método Formentin. Eu também aproveitei para colocar mais frases no Anki!


Leia nossa indicação de Filmes italianos e como usá-los para estudar italiano.


Conheça Podcasts italianos para complementar seus estudos.


E estude também com conteúdos extras que o Silvano liberou para quarentena.


4. Estar presente


Estamos passando por um momento de apoio mútuo, seja presencialmente ou de modo virtual, estar junto é acolhedor.


Essa semana pude tomar café com a minha família e isso foi um momento ímpar, por ser algo que não temos o costume, já ninguém está em casa à tarde.

Minha casa se tornou um ambiente muito mais acolhedor, mais especial. E a importância pelos pequenos instantes juntos só cresce.


Muitas pessoas não estão no isolamento conosco, em nossa casa. Elas estão em suas casas passando pelo mesmo que a gente, e esse período de quarentena permite que a distância com as pessoas que estão longe diminua por meio da internet, assim podemos apoiar uns aos outros.


Pude conversar e conhecer ainda mais pessoas (nossos alunos), que agora com o isolamento tem mais tempo para estudar e tirar suas dúvidas.


Por meio da internet estou me conectando com outras pessoas, conheço-as mais, entendo mais das suas experiências e elas conhecem mais de mim. Está sendo uma troca muito interessante e enriquecedora, que tem me permitido conhecer pessoas com muita força e determinação.


Semana passada eu conheci a Claudia, uma aluna que mora em São Paulo. Ela já morou no Japão, foi para Itália seis vezes e além de professora, faz bolachas caseiras. Conversamos por um bom tempo, pude lhe ajudar com suas dúvidas, soube como está a situação na cidade dela e desliguei com um sorriso no rosto.


Pude estar presente na vida dela e ela na minha, mesmo não estando no mesmo local e isso me mostrou como, mesmo não vendo nossos amigos e familiares, podemos lhes mandar um abraço virtual ou por telefone.


Dê valor ao hoje, ligue, mande uma mensagem, esteja perto; mesmo longe.


5. Pensar no próximo


Ficar em casa é um desafio, muda nossa rotina e faz com que tenhamos que nos adaptar. Mas essa é uma atitude necessária para frear a transmissão do COVID 19 e proteger os mais sensíveis como idosos e pessoas com problemas de saúde pré-existentes.


Pensar no próximo não é apenas ficar em casa! Na hora de sair de casa para abastecer o armário é preciso repensar, primeiro se precisamos mesmo sair e depois, se precisamos realmente daquele item que não temos.


Eu posso não pegar o vírus ou ter sintomas leves com a doença caso saia de casa e seja infectada. Porém eu posso ser o agente transmissor para o grupo de risco, é sempre bom pensar nisso.


Notícias de superlotação em mercados, prateleiras vazias e falta de itens básicos. Queremos nos proteger, mas será que precisamos estocar tudo?

Se eu comprar sem necessidade, alguém ficará sem esse item.


Hoje me sinto pequena diante de toda essa situação envolvendo o Coronavírus, mas me sinto forte. Eu tenho o poder de decisão, de fazer a diferença na vida de muitas famílias, de muitas pessoas.


6. Ser grato


Neste período de fortes emoções, sentimentos que conflitam, isolamento e reflexão; o que mais percebi em mim foi uma crescente gratidão.


Vivemos no automático e as vezes não nos damos conta do quão sortudos somos. Tudo que parecia tão forte, agora perece frágil.


Agradeço por ter um ambiente familiar que tem amor, alimento e acesso a informações; que me permite compartilhar um pouco de como está sendo ressignificar coisas pequenas e tão importantes.


Neste momento me sinto grata por ter um trabalho que me permita estar escrevendo este texto na segurança da minha casa. Pois sei de muitas pessoas que não podem fazê-lo e são obrigadas a arriscar suas vidas.


E me sinto muito grata por poder escolher.


Escolher fazer a diferença, mesmo que pequena, na vida de muitas pessoas. Ninguém nos pediu para ir à guerra, mas é preciso escolher travar uma batalha com o inimigo invisível, que rapidamente toma entes queridos e nos faz sofrer juntos.


E que essa atitude de fazer a diferença para o próximo perdure, criando o hábito de doar, de não acumular, de ajudar.


Enquanto escrevia este texto, algumas vezes meus olhos se encheram e segurei o choro para poder continuar escrevendo e assim compartilhar o quanto um vírus, entre tantos, me fez repensar minha existência.


Neste momento de angústia coletiva, eu gostaria de ter escrito um artigo que conseguisse trazer mais alegria, que levasse mais esperança a todos que nos acompanham. Fiz muitas buscas na internet, mas não consegui deixar de lado a realidade atual e minhas reflexões.


Não está fácil, não será simples, mas passaremos por isso juntos.



Deixo aqui meu sincero sentimento de solidariedade a todos e espero ter contribuído para que você também reflita por alguns instantes.

Se você se sentir à vontade, compartilhe conosco seus sentimentos, experiências e reflexões.


Arrivederci!

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