• Silvano Formentin

O país mais rico do mundo

Símbolo de fé e poder, o Vaticano impressiona até os que não são católicos


Com apenas 44 hectares, o Vaticano é o menor país mundo e considerando sua renda per capita, o país mais rico do globo. Oficialmente chamado de Estado da Cidade do Vaticano, a cidade-estado fica dentro da cidade de Roma e estima-se que tem uma população de oitocentas pessoas.



Mas é preciso voltar muitos anos para entender como foi a formação deste país singular e toda sua riqueza, mais precisamente até o século I a.C., quando Agripina, neta do primeiro imperador romano Augusto, e mãe de Calígula, ordenou a drenagem do local para construção de jardins.


Em 40 d.C. seu filho, Calígula, iniciou a construção de um circo no local e para decorá-lo trouxe do Egito o conhecido obelisco do Vaticano. A obra foi terminada pelo imperador Nero e levou o nome de Circo de Nero.


Após o grande incêndio de Roma em 64 d.C., o local foi utilizado para mártir de cristãos que foram responsabilizados por Nero de ter causado o grande incêndio de Roma. Até hoje não se tem certeza das causas do incêndio, mas conta-se que enquanto a cidade queimava, Nero tocava lira e após o fato se aproveitou da situação para culpar aqueles que já não eram bem vistos na cidade.


Entre os mártires cristãos, estão São Paulo que foi decapitado na Abadia das Três Fontes e São Pedro, que foi crucifixado de cabeça para baixo no Circo de Nero; local que hoje está a Basílica de São Pedro, construída em sua homenagem.


A igreja católica teve grande influência nas cidades italianas e os papas governavam os Estados Pontifícios, reinando sobre considerável parte da península italiana, incluindo Roma e partes da França.


Durante o processo de unificação da Península italiana, a Itália tornou os Estados Pontifícios parte do seu território. Em 1870 as tropas do rei Vitor Emanuel II invadiram Roma e a incorporaram ao estado. Em março de ano seguinte o rei ofereceu uma indenização ao Papa Pio IX pelo território, mas o mesmo a recusou.


As disputas de território entre Estado e a Igreja são conhecidas como Questão Romana e tiveram seu fim apenas em 1929, quando Mussolini e o Papa Pio XI assinaram o Tratado de Latrão. O Tratado reconhece a soberania da Santa Sé sobre o Vaticano, declarando-o estado soberano e neste ato Mussolini indeniza o Vaticano em 1,75 bilhões de liras pelas terras tomadas na unificação do território italiano.


O tratado tornou o catolicismo a religião oficial da Itália, mas em 1978 o mesmo foi reformulado e a Itália tornou-se um estado laico.


A área se tornou a Cidade do Vaticano em 1929, mas os Papas residiam no território desde 1377, quando retornaram da cidade francesa de Avinhão. Mas anteriormente ao ano de 1309 e a residência em Avinhão, os mesmos residiam no Palácio de Latrão, em Roma, local dado por Constantino ao Papa Milcíades em 313.

As principais atrações do Vaticano são: a Praça de São Pedro e sua basílica, os museus do Vaticano e dentro deste, a Capela Sistina e mesmo as pessoas que não são católicas se impressionam com suas obras grandiosas.


A obra externa que mais nos surpreende é a Praça de São Pedro, principalmente por seu tamanho. A Praça possui 320 metros de comprimento e 240 de largura, sendo projetada por Bernini em 1656 para que o maior número de fiéis pudesse ver o Papa da fachada da basílica ou das janelas do palácio.



A praça conta com 282 colunas de mármore travertino e acima destas estão 140 esculturas de santos de variadas épocas e locais. No meio da praça está o Obelisco do Vaticano, com 25 metros de altura, o monumento trazido do Egito por Calígula no ano de 37 para o seu circo, o obelisco só o ocupou o local atual em 1586.


O Vaticano é o país símbolo da cristandade em todo mundo, mas quando se visita a Praça de São Pedro é impossível não se sentir envolto no sentimento de fé que vem da basílica. A basílica levou mais de um século para ficar como conhecemos hoje.


A Basílica de São Pedro começou a ser construída em 328 por ordem do imperador Constantino, mas essa era uma versão menor da que vemos hoje e após contratempos a basílica chegou à ruína, sendo conhecida como Velha São Pedro.


Depois de muitos anos, alterações no projeto e pessoas no controle da obra; a basílica foi entregue em 1626 pelo Papa Urbano VIII. E se a faixada exterior impressiona pelos seus 45 metros de altura, espere até adentrar à basílica.


Com capacidade para 60 mil pessoas, a basílica possui 15.160 m² e é a maior igreja do mundo. Na entrada da basílica, a direita, encontra-se a Pietà de Michelangelo, protegida por vidro a prova de bala após o atentado de 1972. Antes disso, muitos fiéis tocavam o pé da obra e se benziam. A obra de mármore possui 1,74 cm por 1,95 cm e é a única que Michelangelo assinou.


A basílica ainda conta com muitas outras obras como cúpula de Michelangelo, o baldaquino de São Pedro de Bernini, diversos túmulos de Papas. A entrada para a mesma é gratuita, mas é preciso prestar atenção a vestimenta para visita, não sendo aceito mostrar os ombros ou pernas. A basílica abre diariamente, de abril a setembro das 7h às 19h e de outubro a março das 7h às 18h.


A poucos metros da basílica você encontrará os Museus do Vaticano, local de muitas riquezas e obras únicas, como a Capela Sistina. O Vaticano sempre deteve muitas obras e relíquias, mas de forma dispersa. Com a chegada do Renascimento e grande valor às obras de arte, o então Papa, Júlio II começou o movimento de unir as relíquias que o Vaticano dispunha.


Com o tempo foram feitas incorporações e acréscimos, por isso são mencionados como museus, no plural. Os museus possuem obras desde o antigo Egito, até o século XX e contam com quatro rotas distintas, mas todas se encontram no ponto alto do passeio: a Capela Sistina.


A visita é longa e aconselha-se pelo menos meio dia para o passeio, lembre-se de ir com um calçado muito confortável para ver todas obras com tranquilidade. E lá tem muitas obras mesmo! Por isso também é interessante comprar o ingresso antecipadamente, não perdendo tanto tempo na fila para entrar.


Alguns locais se destacam no passeio, como: a Pinacoteca, o Museu Pio-Clementino, o Museu Gregoriano Egípcio, a Coleção de arte religiosa contemporânea. Ainda com muito destaque tem-se as Estâncias de Rafael, 4 salas decoradas com afrescos do artista; a Sala da Imaculada Conceição.



As suas áreas externas são ótimas para descansar um pouco do grande passeio pelos séculos, principalmente Cortile dela Pigna, a área de destaca pela escultura de pinha do século I, que anteriormente ficava no Panteão. No centro do local, encontramos Sfera com sfera, obra de Pomodoro em 1990.




Na saída dos museus você encontrará a Escada de Giuseppe Momo, com seu espetacular efeito óptico que lhe faz parecer muito maior que realmente é. A escada que serviu de inspiração para esta obra foi criada por Bramante, mas não está aberta para visitação.



Você pode estar pensando que esqueci de uma parada muito importante neste passeio aos Museus do Vaticano, mas eu guardei o melhor para o final. Como falei anteriormente, o passeio pode ser feito por quatro rotas e todas delas darão na encantadora Capela Sistina.


A Capela Sistina foi uma obra idealizada pelo Papa Sisto IV que tinha como objetivo construir uma capela para uso exclusivo dos papas e com ela homenagear a assunção de Nossa Senhora, atualmente a capela também é utilizada para votação papal. O Papa começou seu empreendimento em 1475 e o projeto da obra, desenvolvido por Baccio Ponteli e supervisionado por Giovannino de Dolci ficou pronto em 1481.


A capela ficou pronta dois anos depois, e em 15 de agosto foi inaugurada com uma missa solene, levando em seu nome uma homenagem ao seu idealizador, Papa Sisto IV. As paredes laterais da capela foram decoradas em afrescos por artistas renomados de Florença, sobre a liderança de Botticelli. A parede esquerda representa a vida de Jesus e a direita a vida de Moisés, assim correspondendo ao antigo e novo testamento.


No século XVI, o sobrinho de Sisto IV assume o papado sob o nome de Giulio II. Giulio era um grande admirador do trabalho de Michelangelo e desejava deixar seu legado na capela construída por seu tio, alcançando a glória máxima após sua morte. Quando entregue, o teto da capela era pintado de azul e possuía estrelas douradas, mas Giulio desejava um projeto mais impactante para deixar seu nome para história.


Depois de algumas tentativas, Michelangelo que negava o projeto a Giulio por ser escultor e não pintor, acabou cedendo aos pedidos e ao poder do Papa. Durante quatro anos Michelangelo trabalhou no teto da capela, onde retratou as nove cenas do Gênesis. A cena mais famosa da obra é A criação de Adão, sendo considerada a obra que consagra Michelangelo como pintor excepcional, além de admirável escultor.



Vinte sete anos após essa grande obra, durante o movimento da Reforma, Michelangelo é mais uma vez chamado para trabalhar na capela em outra obra que deveria representar o momento conflitante vivido pela Igreja.


A pedido do Papa Clemente VII, Michelangelo volta a trabalhar na Capela Sistina, desta vez na parede do altar. A parede que originalmente possuía duas janelas e um afresco de Perugino representando a visitação de alguns pastores ao presépio, viria a ter suas janelas fechadas e ser substituída pelo Juízo final de Michelangelo. Mas Clemente VII faleceu antes que a obra começasse e quem a concretizou foi seu sucessor, Papa Paulo III.


O Juízo final, consagra mais uma vez Michelangelo como excelente pintor, mas quando foi entregue pelo artista, recebeu muitas críticas, pois seus integrantes estavam nus. Ao ser pedido que consertasse a obra, Michelangelo se negou e a pintura se manteve assim até sua morte em 1564.


Após o falecimento de Michelangelo, Daniele da Volterra acatou o pedido do então Papa Pio IV para que cobrisse a nudez de algumas figuras. Ao cumprir o pedido do Papa, Daniele recebeu o apelido de Il Braghettone, que significa o “fazedor de calças”. O trabalho ficou inacabado e por isso hoje podemos ver algumas figuras ainda nuas, como foram feitas por Michelangelo.



Dentro de tantas histórias e obras, algo que pode surpreender os visitantes é o tamanho da capela. A capela possui 40,9 metros de comprimento, 13,4 metros de largura e 20,7 metros de altura. Comparada com os demais espaços do Vaticano, a Capela Sistina é considerada pequena e com sua história podemos perceber que seja no Vaticano, ou na Itália inteira, um pequeno local carrega muita história, segredos e arte. Lembrando que no interior da capela não é permitido fotografar, para que as obras sejam preservadas.


Para se mover pela capela utilize as setas no canto superior esquerdo.


A maioria dos apaixonados pela Itália e sua cultura, tem o sonho de conhecer o Vaticano e se surpreender com sua magnitude e poder. Para quem já possui Roma em seu roteiro, se aconselha que seja separado um dia exclusivo para conhecer esse pequeno país com calma.

O metrô é o meio mais utilizado para chegar ao Vaticano, pegando a linha A em Roma você pode descer na parada Ottaviano. A parada fica a 10 minutos de caminhada do Museus do Vaticano e da Praça São Pedro.


Esse artigo foi um pequeno resumo da imensidão de objetos e histórias que o Vaticano guarda para lhe trazer mais um pouco desse país maravilho e cheio de cultura dentro da Itália.


Me conte nos comentários a principal atração que você deseja conhecer no Vaticano e qual outro local deseja ver aqui no blog.


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