• Silvano Formentin

Padova: um misto de fé e ciência

Venha comigo nesta viagem entre os dois mundos


A Itália é considerada o berço das artes, das belas obras, do renascimento e dos grandes estudiosos, mas também por ser um país religioso e muito ligado ao catolicismo. E Padova nos traz uma junção ímpar destes dois mundos.


A cidade, localizada na província de mesmo nome na região do Veneto, fica a 40 quilômetros de Veneza. Diz-se que é uma das mais antigas da região, sendo citada no poema Eneida do poeta Virgílio. Virgílio escreveu a epopeia em seus últimos doze anos de vida, antes da sua morte em 19 a.C. quando o poema ficou inacabado.


Na obra de Virgílio, Padova é citada como sendo criada pelas mãos do príncipe troiano Antenor no ano de 1185 a.C. Por mais que isso venha de uma lenda, dados arqueológicos confirmam a idade avançada da cidade, que se desenvolveu entre os séculos XIII e XI a.C.


Se você partir de Veneza, uma boa ideia é ir para esta cidade histórica de trem. Os trens saem em média a cada 40 minutos da estação Santa Lucia e o tempo médio da viagem é de 23 minutos.


Prepare-se para conhecer uma cidade que lembra a era medieval, mas está repleta de ciência, desenvolvimento e fé.

O Jardim Botânico de Padova é o jardim universitário mais antigo da Europa (1545) e ainda preserva muito de sua aparência original. Ali foram plantadas as primeiras lilases (1568), as primeiras batatas (1590) e os primeiros girassóis (1568) da Itália.


Também conhecido como o “jardim do simples”, inicialmente o jardim era destinado ao cultivo de plantas medicinais (chamadas de “simples” na Idade Média). O jardim contribuiu para história de medicina e botânica, além de ser um belo exemplo da arquitetura renascentista.


A planta mais antiga do Jardim Botânico é uma palmeira de San Pietro, conhecida como Palma de Goethe, pois inspirou o escritor alemão que visitou Padova em 1786, em sua teoria sobre a metamorfose das plantas.


O Jardim foi reconhecido como Patrimônio da Humanidade em 1997 e até hoje desempenha seu papel original como centro de ensino universitário, educação e pesquisa; sendo fonte de inspiração para outros jardins da Itália e Europa.


Sua biblioteca possui mais de 50 mil volumes e manuscritos; e seu herbário é um dos mais amplos da Itália. Ambos fazem com que o jardim tenha forte influência no desenvolvimento mundial da botânica, medicina, ecologia e farmácia.



O Jardim faz parte da Universidade de Padova, uma das mais antigas do mundo, criada em 1222. Atualmente, a universidade tem sua sede no Palácio Bó, criado em 1542.


Fundada como Riformatori dello Studio di Padova, a universidade foi palco de grandes feitos como: a primeira graduação de uma mulher; a primeira sala de anatomia e a descoberta da Via-Láctea por Galileu Galilei.


Para você ter ideia da força e reconhecimento científico da universidade, Galileu e Copérnico foram professores na universidade.


Outra atração imponente na cidade é o Prato della Valle, segunda maior praça da Europa, com 90 mil metros quadrados, o equivalente a quase 15 campos de futebol. Em primeiro lugar na Europa está a Praça Vermelha em Moscow.




A praça, também chamada de “Il Prato” foi desenvolvida graças aos esforços de Andrea Memmo, um procurador da cidade. Já que ele foi um grande desenvolvedor da cidade, ele está entre as personalidades representadas ao redor do canal e ainda ganhou o nome da ilha no centro da praça em sua homenagem.


A praça encanta pela quantidade de estátuas em pedra Costozza. Atualmente são 78 estátuas que representam personalidades da cidade.


Próximo à praça, encontra-se o símbolo da fé na cidade.


A cidade possui um Duomo, mas os visitantes costumam concentrar sua atenção na Basílica de Santo Antônio. Também conhecida como O Santo, a basílica costuma receber cinco milhões de visitas por ano, especialmente em 13 de junho, dia do Santo.


A construção da basílica foi iniciada em 1232 para guardar o túmulo do frade franciscano Antônio, que morreu em Pádua em 1231. A basílica é aberta ao público, mas não é permitido tirar fotos em seu interior.



Fernando Antônio de Bulhões nasceu em Lisboa, Portugal. De família nobre e rica, Santo Antônio era filho único e entrou para o Mosteiro de São Vicente dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho com 19 anos.


Depois de anos de estudo, Frei Antônio pede para ir para o Marrocos pregar o evangelho. Mas no caminho, ele fica muito doente e precisa retornar a Portugal.


No retorno, seu barco sofre um desvio devido a uma forte tempestade e para na Sicília, Itália, onde Santo Antônio conheceu São Francisco de Assis e tem sua vida mudada.


Aqui no blog eu publiquei um artigo onde falo sobre a cidade do Santo, Assis.

Clique aqui para ler.


Santo Antônio faleceu em 13 de junho de 1231, com 36 anos em Padova.


Conhecido como Santo protetor dos casamentos, dos pobres e das coisas perdidas. Foi canonizado pelo Papa Gregório IX em 30 de maio de 1232, conhecido como o processo mais rápido da história da Igreja. Em 1934 foi declarado Padroeiro de Portugal.


Na Capela das Relíquias estão expostas a língua, cordas vocais e a mandíbula de Santo Antônio. Conta-se que no ano de 1263 abriram a tumba do Santo para acomodar as relíquias na igreja e a língua e as cordas vocais estavam intactas. Alguns dizem que foi um sinal de Deus confirmando os dons de pregação de Santo Antônio.


A cidade ainda conta com a Capela degli Scrovegni, símbolo de união da religião e arte.


Enrico degli Scrovegni era um agiota, que construiu a capela como forma de ter indulgência da igreja por sua profissão. A capela conta com afrescos de Giotto em homenagem a Nossa Senhora de Assunção.


Giotto realizou o trabalho em dois anos, com ajuda de aprendizes. Os afrescos representam a vida da Virgem Maria e de Jesus Cristo e devem ser lidos de cima para baixo, da esquerda para direita.



É necessário agendar a visita, que é feita em grupo de 25 pessoas por vez. Para que as pinturas sejam protegidas, não é permito fotografar no interior da capela e a porta de acesso só se abre para entrada e saída dos visitantes, mantendo o máximo possível o microclima do local estável.


Padova representa uma mistura única; o avanço da ciência com Copérnico e Galileu, a fé e a religião por meio de Santo Antônio. A quietude das construções de tempos remotos, com o agito dos jovens universitários.


A cidade concentra a essência de um país múltiplo, de diversas faces e credos.


Me conte nos comentários que outra cidade você sente a essência italiana e deseja ver aqui no blog.

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