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  • Um Império de Águas

    Surpreenda-se com os aquedutos, monumentais obras da engenharia romana Vocês já pensaram sobre o quão complexo foi realizar as grandiosas obras de antigamente? Quando pensamos no Império Romano e lembramos de todos os incríveis monumentos da época, imaginamos que tenha sido muito difícil construir e manter a cidade em funcionamento sem as facilidades que temos hoje. Algo importante para se notar é que, para facilitar, as cidades eram construídas perto de alguma fonte de água, que era utilizada tanto para as obras, como para suprir as necessidades diárias daquela cidade. Em Roma, o rio Tibre teve um papel fundamental para a cidade, sendo responsável pela água utilizada na construção da cidade e pela água necessária no dia a dia dos romanos até um certo momento. Ao longo dos anos, Roma crescer e o rio Tibre não já não poderia mais dar conta de suprir as necessidades da cidade, e outros rios eram muito distantes. Com essa necessidade, nasceu uma invenção. E a invenção nesse momento foi revolucionária e importante não só para o Império Romano, mas para a engenharia e hidráulica até os dias atuais: os aquedutos! Acquedotto: Acqua: água + dotto: duto. E eram exatamente isso, dutos de água. Essas incríveis estruturas eram canais cobertos e revestidos por dentro com cerâmica ou chumbo, eles transportavam a água do local onde era captada até locais distantes através de uma pequena inclinação, tão pequena que chega a ser imperceptível quando estamos diante dessas monumentais obras, que podiam transportar água inclusive através de terrenos desnivelados e até mesmo por vales. Com esse feito, os romanos poderiam aproveitar rios mais afastados, acabando com a limitação da distância e proporcionando mais conforto para as cidades. Os romanos logo dominaram essa técnica e chegaram a construir 10 mil km dessas estruturas ao longo do seu território! Uma obra desse nível exigia um planejamento impecável pois eram muitos detalhes para se atentar para que tudo desse certo, o que certamente nos faz até hoje admirar a inteligência daquele povo. A primeira etapa era determinar um rio que fosse adequado para tal empreendimento, com um grande volume de água durante o ano todo, assim como outros aspectos como a vazão de água e a limpidez eram avaliados também. Tudo era muito bem calculado e, após as análises iniciais da fonte serem aprovadas, começava a compra de terras por onde os canais passariam, e a compra das diversas ferramentas necessárias para as medições. A manutenção era constante, assim como a proteção dos canais, que podiam ser alvos de ataques. Hoje vemos alguns desgastes que não são apenas resultado do tempo, mas também porque foram destruídos, como uma estratégia para invasão da cidade ao cortar o abastecimento de água e desestabilizar o povo. Dos 10 mil quilômetros que foram construídos muitos continuam de pé. Podemos ver alguns desses quilômetros no aqueduto de Segóvia na Espanha, no Aqueduto de Valens na Turquia, no trecho do aqueduto de Nîmes que passa sobre o rio Gordon na França e alguns outros, além, é claro, dos aquedutos de Roma. Os famosos Acquedotti di Roma são onze principais aquedutos, construídos em épocas diferentes, entre 312 a.C. e 226 d.C. Eles somavam 500 quilômetros vindos de pontos diferentes e direcionados apenas para a cidade de Roma. Não é à toa que Roma é conhecida como a cidade das águas! O mais antigo desses aquedutos é o Acqua Appia, construído em 312 a.C, no mesmo ano que iniciaram a construção da Via Appia. O Acqua Appia tinha somente 16 quilômetros de extensão, com poucos arcos pois era quase todo subterrâneo. O mais longo deles foi Acqua Marcia, com incríveis 91 quilômetros de extensão, construído por volta de 140 a.C. Esses e outros, cada um com sua particularidade, eram os responsáveis por abastecer a cidade de Roma. Com tantos aquedutos, a quantidade de água transportada era enorme, milhões de litros chegavam diariamente em Roma, cerca de 750 litros por pessoa! Os aquedutos abasteciam residências, banhos públicos e privados, fontes e termas, além de fornecer água para irrigação, moendas, agricultura e mineração. Em Roma aconteciam inclusive competições aquáticas, como os jogos navais dentro do Coliseu. Desde então, Roma não perdeu sua fama de cidade das águas. Hoje, a maioria desses aquedutos são apenas ruínas, mas não todos. A belíssima e cinematográfica Fontana di Trevi continua a ser abastecida pelo Acqua Virgo, já escrevi sobre esse belíssimo monumento em outro artigo e você pode ler clicando aqui. Se quiser conhecer mais sobre os aquedutos e ver de perto o quão grandioso foram essas estruturas, visite o Parco degli Acquedotti para se encantar com essas maravilhas da engenharia que revolucionaram Roma. O parque fica dentro do Parco Appia Antica, que é por onde passa a Via Appia, que já mencionei no artigo que você pode ler clicando aqui. Lá você encontrará alguns desses principais aquedutos, inclusive arcos do Acqua Marcia que foi o maior deles. Além do Acqua Marcia, lá também estão os aquedutos Acqua Tepula, Acqua Vetus, Acqua Iulia, Acqua Claudia, Anio Novus e Acqua Felice. Se quiser separar o dia para esse passeio, depois dos Aquedutos você ainda pode visitar as Terme di Caracalla! Será uma visita realmente fantástica. Espero que você tenha gostado desse breve resumo sobre os aquedutos romanos, fascinantes obras de engenharia que deixaram um importante legado para o mundo. Deixe seu e-mail no campo logo abaixo do artigo e não perca as postagens do blog! Você receberá novidades e conteúdos gratuitos, semanalmente! Me conte nos comentários qual atração é imperdível para conhecer na Itália e se existe algum ponto turístico que você gostaria de ler a respeito aqui no blog. Com todos esses locais incríveis você vai precisar se organizar para conseguir ver tudo o que deseja, e falando italiano você viverá uma experiência ainda melhor em sua viagem! Buona passeggiata!

  • As Termas do Imperador

    Uma história que reúne conflitos familiares e um ícone da engenharia romana Recentemente publiquei um artigo no blog sobre os incríveis aquedutos, obras surpreendentes que demonstram a complexidade da engenharia durante o Império Romano, que você pode ler clicando aqui. E quando falamos sobre Império Romano, além dos extraordinários monumentos, logo lembramos também das famosas dinastias. Uma delas foi a Dinastia Severa, que começou lá em 193 d.C. com o imperador Septímio Severo. Septímio Severo ficou no poder durante 18 anos. Seu desejo era deixar o Império harmoniosamente para seus dois filhos, Caracala e Geta, para que eles reinassem em conjunto, como havia sido com Marco Aurélio e Lúcio Vero, irmãos que governaram juntos e com sucesso em 161 d.C. Só que no caso de Caracala e Geta, a relação entre os dois irmãos não era boa. Na verdade, a relação era bastante difícil, com muito conflito e competição. Quando o imperador Severo morreu, sua esposa, Júlia Domna, continuou tentando unir os filhos, mas Caracala com seu temperamento agressivo e cruel não aceitava. Ele era bastante cruel e alguns historiadores o consideram como um dos piores e mais cruéis imperadores de Roma. Em um ato extremamente impiedoso, Caracala mandou matar Geta, que faleceu em frente de sua mãe. A instabilidade mental, sua péssima gestão financeira, sua personalidade grosseira e a forma brutal que agia com seus adversários fez com que ele fosse cada vez mais detestado pelos romanos. Ele até chegou a fazer uma legislação que foi vista por alguns de forma positiva. Era o Édito de Caracala, em 212, que concedia a cidadania romana para todos os homens livres que habitassem o território do Império. Para Caracala, a quantidade de cidadãos romanos aumentando era algo bom, pois aumentaria o recolhimento dos impostos e ajudaria a ajustar o financeiro, já que sua gestão foi desastrosa nesse quesito, além de aumentar o número de homens aptos para servir em fins militares. Para manter o povo romano satisfeito, realizou grandes obras públicas. Um dos maiores feitos do Imperador Caracala foi continuar a construção das Termas Antoninas, que haviam sido iniciadas por seu pai Septímio Severo, e acabaram ficando conhecidas como Terme di Caracalla, local abastecido pelas águas do aqueduto Água Nova Antoniniana. As Termas de Caracala eram um espaço público grandioso com uma estrutura incrível que contava com áreas de lazer, saunas, piscinas aquecidas, vestiários, sala de massagem e diversos outros serviços, semelhante a um spa, que chegava a receber mais de 3000 pessoas por dia. O espaço era muito completo e ia além dos banhos públicos, dos tratamentos termais e os cuidados de higiene pessoal, ali era possível encontrar biblioteca, jardins e academia. O complexo era gigantesco, cobrindo uma área de aproximadamente 25 hectares. Todas as salas eram revestidas com mosaicos, ouro e mármore e além do mármore e do ouro, também era decorada com belas obras de artes, muitas ainda visíveis! As reconstruções gráficas nos fazem ter uma ideia de como o interior do local era fabuloso! O edifício principal era tão grande que chegava a ter mais de 2 hectares e meio. Das bibliotecas existiam duas, uma com textos em grego e outra com textos em latim. Uma delas continua parcialmente de pé e mede 38 × 22 metros. No lado nordeste ficava a piscina para natação com 50 metros de comprimento por 22 de largura. Além dessa piscina enorme, haviam ainda outras piscinas menores. Algumas dessas piscinas eram frias, outras mornas e outras com água quente, os visitantes revezavam entre elas para fazerem seus tratamentos de hidroterapia através dessa diferença de temperatura. A água era mantida aquecida por meio de um hipocausto, um sistema subterrâneo de fornalhas movidas a carvão e lenha que ferviam as águas que chegavam do aqueduto. Para que toda essa grandiosidade pudesse ser realizada, estima-se que entre 5 e 10 mil operários trabalharam incansavelmente, diariamente, durante cerca de 5 anos, para construir as termas. É uma obra da arquitetura e engenharia romana realmente imponente. As Termas de Caracala ainda eram gratuitas, servindo assim toda a população romana. Ficou sendo a mais famosa das Termas e era considerada uma das sete maravilhas de Roma, quando ainda estavam em funcionamento no século V, permanecendo em uso até meados de 530, quando foi abandonada. É realmente um local surpreendente. E eu recomendo fortemente essa visita ao passado! Você consegue comprar o ingresso tanto no site quanto na própria bilheteria do local. Bem próximo dali ainda dá para conferir a maior arena de entretenimento de Roma, o Circus Maximus, que fica no vale entre o Monte Aventino e o Palatino, há cerca de 1km de distância das termas. É possível ir caminhando e apreciando o caminho entre eles! Nessa mesma área, ao lado do Circus Maximus você pode aproveitar para conhecer algumas ruínas e fazer uma viagem para a era dos Imperadores Romanos, visitando o Palatino, que era o local onde eles construíam seus palácios. Já escrevi sobre esse incrível lugar em outro artigo que você pode ler clicando aqui. Se quiser conhecer mais sobre os aquedutos e ver de perto o quão grandioso foram essas estruturas, visite também o Parco degli Acquedotti para se encantar com essas maravilhas da engenharia que revolucionaram Roma. Será uma visita realmente fantástica! E se você tem curiosidade de saber mais sobre os aquedutos, leia meu artigo no blog sobre eles clicando aqui. Espero que você tenha gostado desse breve resumo sobre as Termas de Caracala, fascinante obra do Império Romano que inspirou diversas construções desde então. Deixe seu e-mail no campo logo abaixo do artigo e não perca as novas postagens do blog! Você receberá novidades e conteúdos gratuitos semanalmente! Me conte nos comentários qual atração é imperdível para se conhecer na Itália e se existe algum ponto turístico que você gostaria de ler a respeito aqui no blog, e lembre-se: falando italiano você viverá uma experiência ainda melhor em sua viagem! Arrivederci!

  • De Santos à Bruxas: conheça os personagens natalinos da Itália

    Descubra mais sobre São Nicolau, Santa Lucia e Befana, figuras celebradas no fim de ano dos italianos. Os italianos são muito apegados à família, e, por isso, gostam muito de celebrar as datas comemorativas em conjunto. O natal, sendo uma das datas mais importantes não poderia ficar de fora, e apesar de essa época do ano por lá ter algumas semelhanças com a nossa, existem muitas diferenças culturais bem interessantes. Por exemplo, você sabia que na Itália, além do famoso Papai Noel, existem outros personagens natalinos adorados pelas crianças e cultuados já há muitos anos? Hoje vim apresentar a você três figuras importantes nas festas de fim de ano dos italianos, e um pouco da tradição que elas carregam. 1 - São Nicolau O dia de São Nicolau é comemorado por toda a Europa no dia 6 de dezembro, e foi para a cidade italiana de Bari que seus restos mortais foram transferidos no ano de 1807 - e onde atualmente se encontra a Basilica di San Nicola. A história conta que ele ajudou três moças pobres, cujo pai não tinha dinheiro para alimentar ou pagar o dote para que se casassem. Ele então jogou pela chaminé três sacos de moedas de ouro, que caíram em meias que secavam na lareira. Daí vem a tradição de pendurar meias ou deixar sapatos nas janelas, ato praticado pelas crianças que esperam acordar com doces deixados pelo Santo. Sua imagem e história de vida o popularizaram como um homem dócil, gentil e generoso, e hoje em dia São Nicolau é cultuado na Itália principalmente na região de Trento. 2 - Santa Lucia A Santa Lucia de Siracusa é uma mártir que perdeu os olhos, e por isso é considerada protetora das doenças relacionadas à visão. Além de ser bastante cultuada pelos fiéis na Itália, ela também inspirou outras tradições, como a de presentear as crianças na noite entre 12 e 13 de dezembro. Diz a lenda que durante a madrugada, Santa Lucia montada em seu burro e acompanhada do cocheiro Castaldo sai distribuindo doces e presentes para as crianças que foram bem comportadas durante o ano. Ela sempre tem o cuidado de não ser vista, por isso, quem tentar ficar acordado para espiá-la recebe um punhado de cinzas nos olhos. É costume também deixar uma espécie de oferenda para as visitas: café para a Santa, pão para o cocheiro e farinha para o burro. 3 - Bruxa Befana As comemorações natalinas na Itália só acabam em janeiro, após os festejos da Epifania, quando acontecem procissões e festividades em todo o país. Você pode ler mais sobre esta e outras datas comemorativas da Itália neste artigo. É também nesse dia, em 6 de janeiro, que se celebra o dia da Befana. Apesar de ser uma bruxa, essa figura é muito amada pelos italianos e muito esperada pelas crianças. Isso porque elas acreditam que a velhinha leva doces às casas dos que se comportaram bem. É costume deixar meias penduradas a espera dos doces - ou de pedras de carvão, no caso de a criança ter sido desobediente durante o ano. A origem da tradição da bruxa Befana é incerta, mas muitos acreditam que ela surgiu a partir da história dos reis magos, que se perderam a caminho de Belém e pediram ajuda a uma senhora. Agradecidos, eles a convidaram para seguir viagem junto e ir a encontro da Sagrada Família. Ela não aceitou, mas, mais tarde, arrependida e sem saber a direção certa, saiu distribuindo presentes nas portas de diversas casas, na esperança de encontrar o menino Jesus. Até hoje a festa de Befana é comemorada no dia 6 de janeiro, dia em que os Reis Magos teriam chegado até o menino Jesus com seus presentes. Essa data para os brasileiros passa quase despercebida - aqui, é o dia de desmontar a árvore e as demais decorações de natal, e apenas isso. Na Itália é diferente, além da maioria das lojas fechar no dia da festa, as meias também são comercializadas nos dias anteriores, algumas até já recheadas com guloseimas. Passar o natal e o fim de ano na Itália com certeza é uma experiência incrível, ainda mais conhecendo a história e as tradições desse lugar tão rico em cultura. Sabendo falar italiano, então, a sua visita se torna ainda mais especial! Você já conhecia a história do São Nicolau, Santa Lucia ou da Befana? Me conte nos comentários! Não se esqueça também de deixar seu e-mail no campo logo abaixo do artigo para não perder as novas postagens do blog! Vamos te enviar novidades e conteúdos gratuitos toda semana. Ci vediamo!

  • As tradições do Natal na Itália

    Descubra como os italianos celebram essa época mágica cheia de união, religiosidade e muito sabor. O Natal é uma época especial em qualquer lugar do mundo, e não tinha como ser diferente na Itália, um país tão rico em tradições que adora uma celebração em família. Hoje eu trouxe um pouco de como essa data é comemorada pelos italianos para que você conheça tudo o que faz o mês de dezembro ser tão interessante. O Advento As celebrações natalinas começam pelo Advento - palavra que significa o que está para vir, e corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal. Nesse período, as ruas de todo o país se enchem de feirinhas ao ar livre, com várias tendas e casinhas de madeira nos parques e praças da cidade, conhecidas como Mercatini di Natale. Além de artesanato e artigos de decoração, se comercializa uma bebida típica chamada vinho quente, muito parecido com quentão que bebemos nas festas juninas aqui no Brasil. Além disso, é comum encontrar corais, concertos, atividades para as crianças e outros eventos culturais. Essas feirinhas permanecem nas ruas até o dia 06 de janeiro. Os italianos também gostam muito das decorações típicas do Natal, e desde o primeiro dia do advento as casas e os lugares públicos ficam repletos de luzinhas e outros enfeites — inclusive, é na Itália que se encontra a maior árvore de Natal do mundo! Localizada na cidade de Gubbio, na Úmbria, e montada nas encostas do Monte Ingino a árvore tem mais de 650 metros de altura e cerca de 300 fontes de luz coloridas e 250 de luzes verdes. A árvore é iluminada todos os anos no dia 7 de dezembro e permanece acesa até o dia 10 de janeiro. Outra tradição de gerações de italianos é o presépio. Foi na cidade de Greccio, na região do Laziona que o presépio foi montado pela primeira vez na história! Essa tradição cristã surgiu quando São Francisco de Assis colocou uma representação do menino Jesus junto de alguns animais em um bosque da região, com a intenção de demonstrar quais foram as condições do seu nascimento. Até hoje os presépios tem muito destaque e importância nas celebrações de fim de ano da Itália e muitas famílias cultivam o hábito de modelar os personagens, pintar e entalhar peças em madeira. Na cidade de Napóles, na rua San Gregorio Armeno, são comercializados presépios artesanais o ano todo. Lá, é possível comprar um presépio inteiro, só alguns personagens ou até versões mais irreverentes, com a cantora Madonna ou o jogador de futebol Maradona, por exemplo. Esse costume é tão forte que na cidade de Oassana, na região de Trentino, o número de personagens de presépios supera o de habitantes! Esta pequena cidade é muito conhecida pelas comemorações de natal, e nesse ano de 2020, a população de apenas 852 pessoas será superada pela montagem de 890 presépios. A noite de Natal No que diz respeito à passagem do dia vinte e quatro para o vinte e cinco, os italianos gostam de estar com a família. Existe um ditado que diz “Natale con i tuoi, Pasqua con chi vuoi” (Natal com os seus e Páscoa com quem quiser), o que reforça a ideia de união familiar nessa época especial. O comércio fecha na véspera do Natal e permanece fechado até o dia vinte e seis de dezembro, assim como as escolas que, geralmente, fazem um recesso a partir do dia vinte e três. Muitos italianos gostam de viajar para as regiões de montanhas para esquiar nos Alpes, o que é chamado de settimana bianca (semana branca). As crianças esperam o Papai Noel, embora ele não seja a única figura importante dessa época. Eu escrevi um artigo sobre os personagens natalinos da Itália que você pode ler clicando aqui. Ainda no dia vinte e quatro, se realiza a ceia. Alguns pratos são muito parecidos com os que estamos acostumados a comer aqui no Brasil. O peru, por exemplo, lá chamado de Cappone é servido cozido nas regiões da Lombardia, na Toscana, Umbria e Liguria, e assado no Piemonte e em Marche. A lasanha, também muito consumida no Brasil durante todo o ano, é um dos destaques da ceia dos italianos - seja ela com carne picada e molho, ou com ricota, mussarela e almôndegas (napolitana). Nas mesas de natal da região da Calábria, uma sopa de carne e vegetais chamada minestra maritata é feita com ossos de presunto, peru, frango, vitelo, salsicha, pequenas endívias, chicória, brócolis e repolho. O bacalhau, conhecido dos brasileiros durante a Semana Santa, na Itália faz parte de pratos natalinos famosos em várias regiões. Frito, em Lazio e Campânia, com tomates, alcaparras e azeitonas pretas como na Puglia ou com polenta em Veneto. A sobremesa fica por conta do famoso panetone ou do Pandoro, um bolo leve e amanteigado polvilhado com açúcar de confeiteiro, e dos biscoitos de gengibre, feitos em formato de homenzinhos e usados também para decorar as árvores de Natal. Em Roma, na véspera de Natal se come sopa de peixe ou macarrão com caldo de brócolis e peixe arzilla, enquanto no dia seguinte é costume comer abbacchio (cordeiro assado) com batatas e cappelletti em caldo. Já na região da Toscana, as especialidades incluem galinha d’angola ou pato assado, galo capão recheado e também bardiccio, que é uma linguiça de porco recheada com erva-doce e outras especiarias. Depois da ceia, quando chega a meia-noite, além de trocar presentes, algumas famílias vão à missa. As celebrações religiosas começam no dia dezesseis de dezembro com o início da Novena de Natal. Sendo a Itália um país com tradição católica muito forte, as missas natalinas são celebradas desde as pequenas igrejas das montanhas até as grandes catedrais, inclusive a que é transmitida ao redor do mundo e acompanhada por milhões de pessoas: a Missa do Galo, ministrada pelo papa na Basílica de São Pedro, no Vaticano, à meia noite do dia vinte e cinco. Feita para celebrar o nascimento de Jesus Cristo, a tradição da Missa do Galo existe desde o século cinco, mais especificamente do ano de 330 d.C. O seu nome oficial é Santa Missa na Solenidade do Natal do Senhor, e o nome “Missa do Galo” é característico de países cujo idioma é português ou espanhol — em italiano, alemão ou inglês, por exemplo, é chamada apenas de “Missa da Meia-Noite”. As maravilhas do Natal quando apreciadas em um país mágico como a Itália se tornam ainda mais emocionantes. Você já visitou ou tem vontade de passar essa época do ano neste lugar repleto de tradições interessantes? Me conte nos comentários o que você achou mais atraente ou mais diferente nas celebrações dos italianos! Não se esqueça também de deixar seu e-mail no campo abaixo para receber todas as novidades do blog e não perder as novas publicações! Desejo a você um excelente Natal! Ci vediamo! Buon Natale!

  • Capodanno: o ano novo na Itália

    O ano novo é uma data muito simbólica que representa a renovação, e na Itália, algumas tradições especiais marcam esse dia chamado de Capodanno. O réveillon dos italianos possui algumas similaridades e várias diferenças na maneira como comemoramos no Brasil, a começar pelo clima — por lá, a temperatura é baixa, podendo até nevar em algumas localidades. Apesar disso, algumas celebrações acontecem na rua e as pessoas não se assustam com o frio. É comum assistir a queima de fogos e os shows gratuitos que acontecem em algumas cidades grandes. Roma, por exemplo, recebe turistas e moradores em diversos pontos como no Coliseu, Circo Massimo e Piazza Del Popolo. Em Milão, há shows em vários pontos da cidade como Piazza Castello e Piazza Affari, mas é a Piazza Duomo o lugar que fica mais lotado e onde acontecem os shows mais importantes. Em Veneza, o clima de amor se intensifica na noite de ano novo. Muitas pessoas vestidas de branco se reúnem na belíssima Piazza San Marco, onde aguardam a chegada da meia noite para darem o famoso beijo coletivo, conhecido como “Bacio di Mezzanotte”, ou, “beijo da meia-noite”, uma tradição local. Para aqueles que não desejam passar a virada do ano na rua, se reunir em casa com familiares e amigos também é bem comum. Na ceia de ano novo, a cenone di capodanno, os italianos gostam de comer frutos do mar, lentilhas e carne de porco, mais especificamente um embutido chamado cotecchino ou o zampone, que é a pata dianteira do porco recheada com carne. Para brindar, um bom espumante. Assim como os brasileiros, os italianos seguem algumas superstições. Eles também acreditam que comer lentilha à meia-noite traz boa sorte e prosperidade. Outro costume parecido com este é o de comer 12 uvas ou 12 uvas-passas, uma para cada mês do novo ano, para atrair dinheiro, sucesso e sorte nos meses que vão seguir. Ainda nas tradições comestíveis, temos a romã, símbolo da fertilidade. Dizem que comê-la na última noite do ano na companhia do seu amor atrai prosperidade, fidelidade e devoção. Um costume diferente de muitas partes da Itália é o de jogar objetos velhos pela janela. A meia-noite, vários italianos têm o hábito de lançar coisas antigas pelas janelas - geralmente louças - em um ato simbólico de dizer adeus às coisas velhas acumuladas durante o ano, para dar espaço a coisas novas e melhores. Outra superstição bem antiga é a de reparar na primeira pessoa que você encontra na rua depois da meia-noite. Se você encontra uma pessoa mais velha ou um corcunda, o novo ano estará cheio de surpresas positivas. Se você encontra um bebê, um padre ou um médico, de acordo com a tradição, isso representa má sorte. Já na manhã do primeiro dia do ano, alguns corajosos se arriscam pulando da Ponte de Santo Ângelo para dentro do Rio Tibre, em Roma. O salto é considerado muito arriscado porque o rio é muito raso para mergulhos desse tipo. Além disso, a água é bastante fria nessa época do ano — inverno no hemisfério norte. O primeiro salto foi realizado em 1946, e até hoje muitos italianos e estrangeiros vão ao local somente para observar. Para os praticantes, o mergulho é uma maneira de atrair boa sorte. Claro que este ano as coisas estão um pouco diferentes, não apenas na Itália, mas no mundo todo. Devido à pandemia e ao aumento dos casos de coronavírus no país, as autoridades restringiram a mobilidade dos cidadãos entre os dias 21 de dezembro e 6 de janeiro. Além disso, a Itália também entrou em regime de lockdown, um isolamento mais restrito. Isso significa que não vai ser possível viajar de uma região a outra, e claro, as aglomerações estão estritamente proibidas. Todos os bares e restaurantes vão permanecer fechados nesse período de festas, e as lojas não essenciais serão fechadas entre 24 e 27 de dezembro, 31 de dezembro e 3 de janeiro, além de 5 e 6 de janeiro. Nesses dias, a população só poderá circular por razões de trabalho, saúde ou emergência. Com costumes parecidos ou diferentes dos nossos, o fato é que os italianos sabem aproveitar uma boa festa e celebrar a passagem dos anos com muita alegria, e tenho certeza que saberão enfrentar essa virada de ano atípica com bom humor e esperança. O que você mais gostou na maneira que eles costumam celebrar o réveillon? Me conte nos comentários! Além disso, não esqueça de cadastrar seu e-mail no campo disponível abaixo do artigo, para que eu possa avisar você cada vez que uma postagem nova vai ao ar! Dessa forma, você não perde nenhuma novidade do blog. Espero que você tenha uma excelente virada de ano, e que os próximos 12 meses lhe tragam muitas alegrias e vitórias! Arrivederci! Buon Capodanno!

  • A delícia gelada da gastronomia italiana

    Conheça o que faz do gelato italiano o sorvete mais especial do mundo Ao visitar a Itália, tomar um autêntico gelato italiano é uma parada obrigatória, afinal, são cerca de 39 mil gelaterias espalhadas pelo país, que movimentam aproximadamente 2 bilhões de euros ao ano e empregam mais de 90 mil pessoas. A origem do sorvete no geral é bem incerta. Há indícios de que povos de eras pré-civilizatórias já tinham o costume de esconder comida no gelo para que ficassem conservadas por mais tempo, e isso incluía leite e frutas. Dessa forma, ao longo da história foram surgindo preparos ao redor do mundo, onde se misturavam neve ou gelo com suco de frutas e açúcar. Já a história do gelato, começou na Itália há mais de 2.000 anos, quando os antigos imperadores romanos e os cidadãos de classe alta enviavam seus serviçais até as montanhas, para que transportassem blocos de gelo e eles pudessem se refrescar no intenso verão. Na época, o gelato era elaborado com gelo e neve das montanhas mais altas, misturado com frutas frescas e conservado no subsolo. Essa preparação se popularizou depois que um artista de Florença chamado Bernardo Timante Buonacorsi, mais conhecido como Buontalenti inventou uma máquina que facilitava a fabricação do gelato. Ele foi o responsável por organizar o casamento de Maria de Médici no grande salão “del cinquecento” do Palazzo Vecchio (Palácio Velho), onde segundo a história foram servidos 25 pratos frios e 30 pratos quentes. De todo esse banquete, o que mais surpreendeu foi a sobremesa final, feita por Buontalenti. Ele construiu uma máquina que misturava limão, açúcar, clara de ovo e leite e levava a preparação a uma temperatura “quase congelada” criando assim o gelato de limão. Essa receita começou a se disseminar pelo mundo após o casamento de Catherine de Médici com o rei Henrique II, da França. A rainha levou consigo seus cozinheiros e, junto com eles, o hábito de preparar sorvete à base de leite. Outro passo importante na história do gelato italiano, se deu em 1686, quando o pescador siciliano Francesco Procopio dei Coltelli conseguiu aperfeiçoar a primeira máquina para fabricar o sorvete. Esses avanços na tecnologia permitiram que o gelato se tornasse cada vez mais disponível para as pessoas comuns, o que finalmente aconteceu nas décadas de 1920 e 1930, quando ele começou a ser comercializado pelos vendedores ambulantes, o que se vê até os dias de hoje na Itália. Mas afinal, qual a diferença de um gelato para um sorvete dito “comum”? A palavra “gelato” em italiano significa sorvete, mas esse termo é mais do que uma simples tradução. Diferente de um sorvete comum, o gelato representa a excelência da culinária italiana, pois é feito de maneira artesanal e com os melhores produtos. Diferente dos sorvetes industrializados, os gelatos são preparados diariamente e com ingredientes frescos, o que torna o sabor único, e eles também se sobressaem porque contém de 50 a 60% menos gordura comparado ao sorvete tradicional, já que utilizam gordura láctea na composição, variando a quantidade dependendo de cada sabor. O gelato também costuma ter 30% menos açúcar em relação ao sorvete e ser muito mais aerado e cremoso. A mistura do gelato precisa descansar várias horas após a pasteurização para que as proteínas do leite se hidratem ou se unam à água. Essa hidratação reduz o tamanho dos cristais de gelo, resultando em uma textura suave. Mais do que um doce, o gelato se tornou uma tradição na Itália. As melhores receitas passam de geração para geração, sempre mantendo a essência artesanal de sua preparação e a máxima qualidade de seus ingredientes. O assunto é tão sério por lá que existe até a Universidade e o Museu do Gelato! É isso mesmo, em Anzola Emilia, perto de Bolonha, e batizada com nome inglês de Carpigiani Gelato University, se localiza uma escola especializada em ensinar as técnicas da produção do gelato. Já o Museu do Gelato, que se encontra no mesmo local, é o único museu do mundo dedicado à história do gelato, que oferece visitas guiadas, eventos especiais dedicados aos verdadeiros amantes dessa arte e até oficinas de produção da iguaria. Aposto que depois de ler sobre essa maravilha deu vontade de apreciar um delicioso gelato, não é mesmo? Me conte nos comentários qual sabor você gostaria de experimentar - os mais clássicos, de chocolate e frutas, ou os mais exóticos, como gorgonzola com nozes e caramelo com sal rosa do Himalaya? Não esqueça de cadastrar seu e-mail no campo abaixo do artigo para ser avisado de todas as novidades do blog! Ci vediamo!

  • Comportamentos para evitar quando estiver na Itália

    Aprenda algumas coisas que os brasileiros consideram normais, mas que são verdadeiras gafes para os italianos! Nós brasileiros sempre nos sentimos muito próximos dos italianos – e de fato somos! Em muitas famílias do Brasil os costumes são cultivados e a tradição é muito presente. Mas isso não quer dizer que a Itália não tenha suas peculiaridades e que alguns dos nossos costumes mais básicos não possam ser malvistos por lá! Pensando nisso, eu trouxe neste artigo algumas coisas que você deve evitar fazer quando estiver na Itália, para não irritar um italiano ou até mesmo desrespeitar a sua cultura. ]Começando pelas refeições. Os italianos consideram comer um ato muito especial, e são defensores da boa comida, preparada com respeito aos ingredientes e fieis às receitas que já ultrapassam gerações. Por isso, ao fazer uma refeição em um restaurante, pedir ao garçom que o cozinheiro substitua ou acrescente ingredientes ao seu prato é considerado muito deselegante. Para eles, respeitar a autenticidade e o conhecimento do cozinheiro é essencial, e isso inclui não mexer em suas receitas! Se você não come algum ingrediente que está na descrição do prato, é melhor que escolha outra opção. Pelo mesmo fato de respeitar a boa gastronomia e ter muito orgulho dos pratos famosos do seu país, os italianos odeiam quando alguém mistura diferentes tipos de comida. Para eles, um bom risoto e uma boa carne, por exemplo, devem ser apreciados um por vez, e não devem dividir o prato com massas ou saladas - hábito corriqueiro para nós brasileiros. A única exceção aqui é o pãozinho que quase sempre vem acompanhando os pratos principais. Ele serve para você comer com o molho que sobra no prato, dessa forma aproveitando a refeição em sua totalidade. Essa ação tem até nome: fare la scarpetta! Já escrevi um artigo aqui no blog onde dou algumas dicas de etiqueta e entre elas está o costume italiano de fare la scarpetta, você pode ler o artigo completo clicando aqui. Já é do conhecimento de quase todo o mundo que partir a massa, seja quebrando o spaguetti antes do preparo, ou cortando com a faca na mesa, é quase um crime na Itália! E se você pensa que comer a massa com a ajuda da colher é elegante, está enganado! Para os italianos, o certo mesmo é você se virar usando apenas o garfo. Colher, apenas para as sopas! Outra coisa que soa como ofensa para os cidadãos italianos é colocar ketchup e outros condimentos na pizza ou no macarrão. Além disso, cuidado ao adicionar queijo na sua comida: ele é muito bem-vindo nas massas e lasanhas, menos quando essas são preparadas com peixes ou frutos-do-mar. A hora da refeição é sagrada, portanto, nada de comer enquanto caminha ou ficar no celular enquanto come! Isso, além de não ser saudável, é considerado extremamente rude na Itália. No máximo, aprecie um gelato enquanto passeia pelas ruas. Ainda na parte de alimentação, fique atento ao pedir aquele cafézinho para finalizar as refeições. Na Itália, o cappuccino é muito famoso, mas ele não é algo que se pede ao fim de um almoço, por exemplo. É melhor pedir um espresso se quiser evitar um olhar desagradável do garçom. O cappucino, mesmo sendo um clássico do país, é mais consumido no café da manhã. Outra coisa que irrita muito os italianos, são turistas que sentam nas mesas dos bares e cafeterias sem a intenção de consumir alguma coisa. Se você deseja apenas descansar entre os passeios, procure outro lugar para sentar. Mesmo que as mesas estejam vazias, é muito provável que você seja expulso sem delicadeza alguma, se não pedir, ao menos, uma água ou um café. Além disso, o preço das coisas consumidas nas mesas difere muito das que você consome no balcão. Um simples cafezinho pode custar mais do que o dobro se você escolher saboreá-lo sentado em uma mesa. É bom sempre estar atento a isso para não levar nenhum susto na hora de pagar! Lembre-se também que a gorjeta não é obrigatória, mas se você quiser pode deixar uma quantia em cima da mesa na hora de ir embora. Um erro muito comum dos turistas, ou dos que continuam se adaptando à língua italiana, é o de falar a palavra “Ciao” para todo mundo. Fique atento: não é muito educado saudar dessa forma alguém com quem você não tem intimidade. É mais respeitoso usar os termos “buongiorno” ou “buonasera” ao falar com um desconhecido em italiano. Por ser um país com muitos lugares históricos e sagrados, a Itália possui regras de etiqueta que precisam ser seguidas à risca pelos visitantes. Você não pode entrar nas igrejas e catedrais, por exemplo, usando roupas curtas, decotes muito acentuados, com os ombros à mostra, etc. Também é muito importante respeitar os avisos e não fotografar em locais onde isso não é permitido. Os guardas e fiscais vão chamar a atenção de pessoas que insistirem nesse comportamento. Claro que, sabendo falar italiano e compreendendo todos os sinais e placas de aviso, as chances de você passar por alguma situação desagradável assim são mínimas. Após ler esse artigo, então, você já está mais preparado ainda para viajar à Itália e não passar vergonha com alguns dos nossos costumes que os italianos acham estranhos. Se você viajar a Itália agora, além de não fazer feio nos restaurantes, vai saber compreender as placas e ficar a par de todas as regras? Me conte nos comentários! Para saber mais sobre cultura italiana e engrandecer ainda mais a sua viagem, não esqueça de cadastrar seu e-mail no campo abaixo desse artigo, para que você não perca nenhuma novidade do blog! Arrivederci!

  • A magia dos canais de Veneza

    Descubra as belezas e as desvantagens de se construir uma cidade sobre a água. Muitas vezes quando pensamos em um romântico passeio de gondola pelos canais de Veneza, não reparamos em toda a engenharia que faz aquilo ser possível. A cidade, que na verdade é um conglomerado de pequenas ilhas, foi construída a beira do Mar Adriático, e desde sua origem teve que se adaptar a presença da água por toda parte. No artigo de hoje, vamos aprender como Veneza conseguiu se estabelecer em meio a 177 canais e se tornar um dos principais destinos turísticos do mundo! A construção da cidade Veneza começou a receber seus primeiros moradores no ano de 452. No princípio, a população ocupava os pedaços de terra firme entre os inúmeros canais e quando as ilhas já estavam completamente ocupadas, a solução encontrada foi avançar com a cidade na água. A partir daí, começaram a ser construídas passarelas e aterros, o que fez com que cerca de 40 canais deixassem de existir, cedendo espaço à novas casas e consequentemente, ao avanço da cidade. A partir daí, o problema que surgiu foi o de como fazer a fundação desses novos edifícios, afinal, a base dos terrenos seguia sendo água. A solução encontrada foi construir camadas de pedra e de estacas de madeira, criando assim uma base firme de aproximadamente cinco metros de profundidade. Essa madeira foi trazida da área que hoje compreende a Eslovênia, Montenegro e a Croácia, com troncos que mediam entre 2 e 8 metros de comprimento. Mesmo após séculos, esses troncos em contato com a água nunca apodreceram. Isso se deve ao fato de que o encontro da madeira com o barro gerava um processo químico que a isolava do contato com oxigênio, criando assim um elemento impermeável. O transporte em Veneza Após descobrir um pouco mais sobre como a cidade foi construída, você já deve ter imaginado que se locomover em Veneza é diferente também, não é mesmo? Afinal, em uma cidade onde não existem ruas, também não circulam carros ou motos. Todos os veículos são aquáticos, inclusive as ambulâncias! Atualmente, a cidade possui 354 pontes, facilitando o trajeto de quem passeia por lá, mas, para os habitantes e turistas que não desejam andar a pé, as opções são inúmeras. Além das gôndolas e dos barcos-táxi, Veneza também conta com transporte público. São 30 linhas e 120 estações flutuantes onde, no lugar dos ônibus convencionais, o que podemos encontrar são motoscafis, os motonavi e o Vaporetto. Os motoscafis são barcos com cabines de passageiros dianteiras e traseiras, com capacidade para 160 pessoas. Eles são mais simples, e usados em rotas que viajam para fora do Grande Canal, do Canal Giudeccae da Baía de San Marco. O motonavi, apesar de ser uma embarcação de um só andar, é um pouco maior, com capacidade para até 600 passageiros e alguns assentos ao ar livre. Já o Vaporetto opera com uma capacidade média de 230 passageiros. Em todos esses veículos é possível embarcar com cadeira de rodas, carrinho de bebê e também com bagagem — ou seja, se você é um turista que quer se locomover do aeroporto até o hotel, por exemplo, pode utilizar esses meios de transporte! Veneza está afundando? Essa é a pergunta que muitos se fazem, frente à todas essas informações. É claro que estreitar canais impedindo a passagem natural da água traria consequências – e os venezianos sofrem com frequentes enchentes e o fenômeno chamado de l’acqua alta, quando, na primavera, a maré alta inunda algumas partes da cidade. Você pode ler e entender melhor esse fenômeno no artigo que escrevi anteriormente, clicando aqui. Desde o início do século passado até agora, Veneza já afundou 23 centímetros. Isso se deu devido ao aumento do nível do mar, causado pelo temido aquecimento global, e também pelas estruturas no fundo da lagoa terem cedido alguns centímetros. Podemos dizer que, lentamente, Veneza está, sim, afundando. Mesmo que esse processo seja lento, e que as tecnologias da atualidade surjam com novas soluções todos os dias, é melhor prevenir e visitar essa cidade histórica o mais cedo possível, concorda? Sabendo falar italiano então, melhor ainda! Você já teve vontade ou a oportunidade de visitar Veneza, e passear por algum de seus inúmeros canais? Me conte sua experiência nos comentários! Não se esqueça também, de cadastrar seu e-mail no campo abaixo, para sempre receber as novidades do blog e não perder nenhuma publicação! Arrivederci!

  • Circo Massimo: a maior arena de espetáculos de Roma

    Conheça a história da maior arena de entretenimento da Antiguidade Multidões gritando e torcendo, gladiadores saudando o imperador, homens lutando com feras terríveis, corridas de cavalo acirradas - no artigo de hoje, eu vou te contar sobre uma construção incrível, onde muitos desses eventos ocorreram! Trata-se da maior Arena de jogos de Roma, chamada de Circo Massimo. A história da arena Desde a época da República na Roma Antiga, a carreira política de um homem dependia da quantidade e da qualidade dos espetáculos que ele oferecia na cidade. Além disso, era muito importante manter a população distraída, para que deixassem de pensar nos problemas da cidade e não se rebelassem. Assim surgiu o Circo Massimo, cuja construção se iniciou com o primeiro rei etrusco de Roma, Tarquínio Prisco, em uma depressão natural do terreno, o vale Murcia, entre os montes Palatino e Aventino. Inicialmente, era formado por uma estrutura de madeira, que foi anexada a uma área de onde partiam os carros dos jogos e foi construído um muro central para canalizar o curso das águas. Devido à resposta positiva do público, o governante romano Júlio César realizou obras que expandiram a arena, e ela passou a ter 600 metros de comprimento, 225 de envergadura e capacidade para acomodar 200 mil pessoas. Mais tarde, o Imperador Tito construiu um arco na extremidade do Circo, e o imperador Domiciano uniu seu palácio à arena para poder assistir aos eventos da sua própria varanda. O imperador Trajano acrescentou 5 mil lugares ao circo e expandiu a zona imperial para ter maior visibilidade. Os jogos Diversas competições e atividades eram celebradas durante o “ludi romani” ou seja, “jogos romanos”. Esses jogos eram eventos que incluíam todo tipo de entretenimento, como desfiles, cerimônias religiosas, peças teatrais, banquetes, demonstrações de gladiadores além das famosas corridas de bigas. Os ludi aconteciam inicialmente uma ou duas vezes por ano, mas, como esses eventos se transformaram em uma demonstração de status para os poderosos que os patrocinavam, passaram a ocorrer em 57 dias do ano. Uma das atrações que mais empolgavam o público eram as corridas de biga – uma espécie de carroça/carruagem de madeira puxadas por dois ou quatro cavalos. As corridas eram perigosas para os pilotos e cavalos, que sofriam muitas vezes ferimentos graves, chegando até a morte, pois os veículos eram construídos pensando unicamente na rapidez e não na segurança. A competição contava com 12 carruagens e 48 cavaleiros e quando começava, uma das características mais marcantes era o chamado “naufrágio”. Os veículos caíam e colidiam entre si na pista. Como consequência, se tornavam obstáculos para os competidores que estavam atrás. Isso tudo era extremamente perigoso e quase sempre gerava alguma morte, mas também era a parte preferida dos espectadores, que se empolgavam e começavam a torcer ainda mais alto. Os pilotos que participavam das corridas arriscando suas vidas eram chamados de aurigas. Em sua grande parte, eram homens pobres tentando ficar ricos ou escravos em busca da liberdade. A largada era dada quando um pano branco era jogado ao chão. Doze carruagens saíam dos boxes (chamados de cárceres) — as equipes mais ricas pagavam para começar nos lugares da frente. As bigas eram distribuídas em quatro equipes: os azuis, os verdes, os vermelhos e os brancos. Vários imperadores eram fãs dos verdes. Calígula, por exemplo, ia até os estábulos na véspera da prova, para dar uma força para o time do coração. As corridas só tinham uma regra: “Não há regras”. Tudo era permitido, inclusive chicotear o adversário e jogá-lo contra o canteiro central. Circo Massimo na atualidade Com o passar dos anos, os imperadores de Roma começaram a ser pressionados para construir arenas específicas para que eventos diferentes pudessem ocorrer ao mesmo tempo. Assim, as corridas com as bigas ficaram concentradas no Circo Massimo, e com a construção do Coliseu, as lutas de gladiadores e demonstrações com animais acabaram sendo transferidas para lá. Com isso, o Circo foi gradualmente caindo em desuso e, no século VI d.C., ele foi aposentado de vez. As pedras de sua estrutura foram retiradas e reutilizadas para a construção de outros edifícios. Já a pista de corridas, com o passar do tempo, foi sendo encoberta, voltando a ressurgir após escavações iniciadas no século XIX. Por isso, o que resta do Circo Massimo hoje em dia é apenas um descampado. Ainda assim, visitar esse lugar pode ser muito interessante. É só reparar na dimensão e fazer a sua imaginação trabalhar. Com tudo o que contei aqui, acredito que pode ser muito impressionante caminhar por esse lugar histórico e pensar que por ali mesmo já passaram centenas de esportistas, muitos que atingiram a fama e muitos que infelizmente faleceram ali, sob o olhar atento de milhares de pessoas nas arquibancadas. Além disso, é possível também fazer o passeio com um óculos de realidade virtual alugado, aparelho que vai te ajudar nesse processo de imaginar, mostrando imagens de como tudo era antigamente, no exato lugar onde se encontrava. Esse passeio, sem os óculos especiais, é gratuito e você pode aproveitar a sua proximidade com o Coliseu e visitar os dois no mesmo dia. Você já conhecia a história do Circo Massimo ou ficou com vontade de conhecer esse lugar? Me conte nos comentários o que achou de tudo o que mostrei aqui! Não esqueça, também, de cadastrar o seu e-mail no campo abaixo do artigo para ser notificado cada vez que publico algo novo! Arrivederci!

  • A Porta de Entrada para Roma

    Conheça a grandiosa Piazza del Popolo A arquitetura de Roma é um verdadeiro patrimônio para a humanidade e é fruto de séculos de história. As construções da cidade foram erguidas em diversas épocas, com finalidades distintas e por artistas diferentes, mas todos com o ideal de embelezar a cidade. Um importante local que foi cenário de fatos históricos marcantes na cidade é a Piazza del Popolo, uma das mais famosas praças de Roma. A Piazza del Popolo passou por muitas intervenções ao longo dos anos, graças aos diversos papas que encomendaram projetos de restauro e adornos para a praça, que recebeu diferentes modificações e reelaborações das obras já existentes. Um Papa que se dedicou a entregar mais beleza à cidade através da arquitetura foi Alexandre VII, Papa que sucedeu Inocêncio X. Alexandre tinha como nome de nascença Fabio Chigi, pertencente à família Chigi, banqueiros de grande prestígio na região de Siena, porém Fabio não se interessou em seguir a carreira da família e seus estudos o levaram por outro caminho. O rapaz era autodidata e se destacava com seu conhecimento que transitava entre filosofia e teologia, história e arquitetura. Chegou a receber doutorado da Universidade de Siena em Filosofia, Direito e Teologia. Após seus estudos ele seguiu para Ferrara, onde avançou em sua carreira eclesiástica. Com o passar do tempo, Fabio foi avançando nos cargos da igreja e passou inclusive por cargos importantes que tinham como função fazer mediação entre países. Inocêncio X convidou Fabio para ir a Roma e lá ele foi nomeado pelo Papa como Secretário de Estado e Cardeal. Mesmo com suas responsabilidades com o Estado ele não deixava de lado seu amor por literatura e arte. Continuou escrevendo uma série de poemas e incentivando os artistas e arquitetos de Roma. Durante seu papado não foi diferente e a arte sempre teve sua atenção. Outra importante personagem dessa época, que era fascinada por literatura e arte, foi Cristina, a Rainha da Suécia. Filha única de Gustavo II Adolfo, se tornou rainha aos seis anos por conta da morte de seu pai. Cristina desde a infância mostrava ter uma personalidade forte, com um comportamento e estilo de vida incomum para uma rainha, se vestindo masculinamente e vivendo de mau-humor. O que mais a interessava e prendia sua atenção eram os estudos e por isso dedicava muitas horas por dia para ler sobre arte, ciência e religião. Quando decidiu abdicar do trono, deixou a Suécia e se converteu ao catolicismo, partindo então para Roma. Em Roma, Cristina entrou pela Porta del Popolo, portão que durante a Roma Antiga era chamado de Porta Flaminia e é a principal entrada da cidade, na Piazza del Popolo. Lá, Cristina foi recebida com uma grande festa, um evento memorável para o povo romano junto do Papa Alexandre VII, que esperava de braços abertos a mais nova católica. A trajetória de Cristina para se converter foi secreta. Mesmo tendo abdicado seu trono em 1654 para se converter, ela ainda tinha algumas ligações econômicas com a Suécia que não permitiam que ela se posicionasse em público como católica até aquele momento, em dezembro de 1655. Até hoje, na Porta del Popolo, existe a homenagem do Papa Alexandre para a Rainha. A fachada interna foi obra de Bernini e feita especialmente para a chegada de Cristina, com os dizeres “por uma entrada feliz e auspiciosa” e também o brasão da família Chigi, simbolizando um marco para o catolicismo gravado até hoje na parte interna da Piazza del Popolo. Essa é apenas uma das inúmeras histórias que envolvem a praça mais conhecida de Roma. A praça fica exatamente no topo de um triângulo de ruas da cidade conhecido como il tridente, composto por três vias muito movimentadas que levam ao coração de Roma. Se você estiver no centro da praça e olhar em direção a essas vias, as Igrejas Gêmeas vão chamar a sua atenção. As igrejas Santa Maria di Montesanto e a igreja Santa Maria dei Miracoli foram dois edifícios projetados por Carlo Rainaldi, mas que com a intervenção na arquitetura proposta pelo Papa Alexandre VII elas passaram por modificações nas mãos de Bernini. Bernini era o arquiteto preferido de Alexandre e dava todo suporte necessário para embelezar a cidade. A ideia do Papa era que as igrejas fossem iguais para destacar a simetria que existia no tridente formado pelas três vias partirem da praça. A ideia era ótima, mas havia um problema. As áreas das igrejas eram diferentes e com isso a nova estrutura das igrejas gêmeas seria complicada de realizar. Bernini, com os artistas de seu grupo, tiveram uma ideia genial. Eles alinharam a fachada das igrejas e as cúpulas eles fizeram com diâmetros diferentes. Dessa forma, com as cúpulas em tamanhos diferentes, eles conseguiram criar uma ilusão de ótica, fazendo com que quem olhasse da porta da praça visse as igrejas iguais, apesar da diferença entre elas ser real. A genialidade na arquitetura de Bernini é realmente impressionante. Na Piazza del Popolo ainda existem outras obras que também chamam atenção. O obelisco que fica exatamente no centro da praça tem 24 metros de altura e é um dos principais obeliscos de Roma, além de ser um dos mais antigos. Foi transferido para Roma em 10 a.C. vindo do Egito. Inicialmente foi colocado no Circus Maximus e erguido na Piazza del Popolo somente em março de 1589. A base do obelisco foi modificada algumas vezes antes de ter a forma que existe hoje, sendo de quatro leões repousando sobre pirâmides. Além da Fontana dei Leoni, o local ainda tem mais duas grandes fontes que ficam em lados opostos da praça. De um lado, La Fontana del Nettuno, com obras de Giovanni e do lado contrário está a La Fontana dela Dea Roma, composta pela estátua da Deusa Roma cercada por duas esculturas que representam os rios Tibre e Aniene, e ao centro vemos a famosa Lupa Capitolina, a loba que amamentou os gêmeos Rômulo e Remo, que representa as origens lendárias da cidade de Roma. Inclusive, eu já escrevi sobre a história de Roma em outro artigo do blog, clique aqui para ler. Não posso deixar de mencionar a Basilica di Santa Maria del Popolo, sendo um dos edifícios mais importantes do renascimento, não só pela sua arquitetura, mas principalmente pelas grandes obras que abriga, de artistas como Rafael, Bernini, Caravaggio, Donato Bramante, Andrea Bregno, Pinturicchio e Alessandro Algardi. Le chiese gemelle, a Basílica, o obelisco e as fontes criam uma atmosfera fascinante para a Piazza del Popolo. Este é um local para se visitar com calma e apreciar cada uma das belezas presentes na praça. Ao redor da praça você poderá admirar a vista panorâmica da cidade ao conhecer o Terraço do Pincio, que tem entrada gratuita e fica a três minutos da praça, na Villa Borghese. Já escrevi sobre esse belíssimo local aqui no blog e você pode ler meu artigo sobre a Galleria Borghese clicando aqui. Por fim, se pensar em passar em uma das vias do “tridente” formado pela Via del Corso, Via del Babuino e Via Ripetta, saiba que elas também são ótimas para serem visitadas e muito conhecidas como ruas de compras, por serem repletas das mais variadas lojas. Me conte nos comentários a principal atração que você deseja conhecer em Roma e qual outro local deseja ler a respeito aqui no blog. Deixe seu e-mail no campo logo abaixo do artigo e nunca mais perca uma postagem do blog! Você receberá as novidades, dicas e conteúdos gratuitos, semanalmente! Ci vediamo!

  • A Arte Barroca na Bela Galleria Borghese

    Um pouco da história de um dos mais importantes museus de arte da Itália. A cultura artística está muito ligada à Itália e faz parte do cotidiano de Roma se deparar com arte pela cidade. Além de estar presente no dia a dia dos italianos, a arte faz parte da história do país. Dentre os diversos museus que podem ser encontrados pela Itália, hoje darei destaque a um deles! Vamos conhecer um pouco sobre a Galleria Borghese. Para contar um pouco de sua história, é importante mencionar que por volta de 1600 a Igreja Católica passava por um momento delicado. A população não estava satisfeita com a relação de poder que a igreja mantinha e também estava questionando seus dogmas. Esse foi o período da famosa Reforma Protestante, uma época marcada por muito questionamento. A Igreja Católica estava se sentindo ameaçada pelo protestantismo e queria reafirmar seus dogmas como verdade para manter seu domínio. Uma das formas que eles acreditavam que transmitiria isso seria através da arte. Os movimentos artísticos dessa época foram marcados pelo misto do terreno e do celestial, essa contradição entre a terra e o céu foi uma das principais características do Barroco, arte marcada pelo exagero, bastante dramática e com detalhes valorizados. Dois grandes artistas influenciaram esse movimento e ficaram conhecidos como os pais do Barroco. Um deles foi Michelangelo Merisi, mais conhecido como Caravaggio, e Gian Lorenzo Bernini. Caravaggio e Bernini eram famosos em Roma, cada um do seu modo. Enquanto Caravaggio era conhecido como um artista rebelde, Bernini era visto como mais sensato e centrado. Os quadros de Caravaggio eram realistas e com um espetacular uso de luz e sombra em forte contraste, características que marcaram suas obras. Ele era visto como um artista profano que pintava arte sacra, pois tinha um estilo de vida conturbado. Foi ajudado pelo cardeal Del Monte, que o hospedou em sua casa, e conforme aprimorava seu estilo de pintura, foi se destacando em sua arte e obtendo prestígio e sucesso. Já Bernini era filho de Pietro Bernini, escultor que trabalhou em obras para o papa Paulo V, da família Borghese, em Santa Maria Maggiore. Pietro foi ganhando a confiança do Paulo Quinto até que mostrou a ele e sua família o talento do seu filho Lorenzo Bernini. A família Borghese, que se interessava muito por arte, ficou encantada com o rapaz que dava seus primeiros passos em escultura de forma incrível. Fascinado pelos exemplos de esculturas antigas, Lorenzo Bernini foi desenvolvendo suas habilidades com esculturas e realizando trabalhos para a família Borghese. O sobrinho do papa Paulo V, o cardeal Scipione Borghese, era um apaixonado por arte e propôs a Bernini uma série de trabalhos como conclusões de esculturas e obras autorais. Ele ganhava cada vez mais clientes e sua vida profissional era muito intensa, com uma série de cargos oficiais nos trabalhos para a Igreja. Bernini, mesmo sendo muito egocêntrico, tinha uma boa fama, diferentemente de Caravaggio. Esses dois grandes artistas, com vidas pessoais tão diferentes, são considerados os pais do estilo Barroco e possuem obras de arte expostas na Galleria Borghese, local imperdível para os amantes da arte devido à quantidade e importância das esculturas e pinturas que lá se encontram. A galeria é um museu criado a pedido do cardeal Scipione Borghese, entre os anos de 1613 e 1616. O espaço de dois andares foi montado para ser um local de cultura, com exibição de arte antiga e moderna, para músicas e estudos, em um ambiente interno belíssimo e encantador. A coleção inicial foi do próprio Cardeal, mas pelos séculos seguintes o acervo se modificou um pouco por conta de algumas perdas e compras. Mesmo com essas modificações, a Galleria Borghese ainda preserva obras de Antonello da Messina, Giovanni Bellini, Raffaello, Tiziano, Correggio, Canova; além de quadros dramáticos de Caravaggio e esculturas fantásticas de Bernini. Como o Cardeal era um grande fã dos trabalhos de Bernini e Caravaggio, o acervo tem várias esculturas e quadros que vão mostrando a evolução desses artistas ao longo da vida. Os detalhes das obras impressionam e merecem atenção, como, por exemplo, as folhas com tons amarelados no quadro de Caravaggio e a pressão feita pelas mãos na escultura de Bernini. Detalhe é uma das características mais marcantes do Barroco. O museu fica na encantadora Villa Borghese, projetada por Flaminio Ponzio e Giovanni Vasanzio, que uniram edifícios, esculturas, monumentos, fontes e belíssimos jardins com plantas raras. O espaço, além de museus, é rodeado de árvores centenárias, lagoas e grandes espaços livres, onde você pode fazer um piquenique! A entrada na Villa Borghese é gratuita, mas a entrada nos museus é paga e pode ser comprada no local. Para a Galleria Borghese, o ideal é comprar o ingresso pelo site para evitar perder tempo em fila, pois a procura pelo museu é realmente grande. A Villa tem atração para todos os gostos e merece algumas horas para visitação. Lá você encontrará museus, praças, fontes e até um zoológico, sendo o Bioparco. Um local que merece destaque é o Terraço do Pincio, onde você pode admirar a vista panorâmica e ter a melhor vista da Piazza del Popolo. Vale ressaltar que o pôr do sol visto desse local também é fascinante. Mas esse é só um dos locais que destaco no meio de tantos que podem te surpreender. Esse artigo foi um pequeno resumo sobre a Galleria Borghese e todos os encantos que a grandiosa Villa Borghese pode te oferecer, e assim trazer para você mais um pouco desse país maravilho que é a Itália. Me conte nos comentários a principal atração que você deseja conhecer em Roma e qual outro local deseja ler a respeito aqui no blog. Deixe seu e-mail no campo logo abaixo do artigo e nunca mais perca uma postagem do blog! Você receberá as novidades, dicas e conteúdos gratuitos, semanalmente! Ci vediamo!

  • O Glorioso Arco de Constantino

    O mais moderno arco triunfal romano Não é por acaso que Roma é uma das cidades mais visitadas do mundo: a bagagem histórica presente lá faz os visitantes se sentirem em um livro de história. Ao viajarmos para Roma podemos nos sentir em um verdadeiro museu ao ar livre. Com as centenas de obras-primas espalhadas pela cidade, cada uma delas carrega uma grande importância histórica, artística, cultural e social da sua época de criação. Hoje você vai conhecer o Arco di Costantino, uma imponente obra do final do Império Romano que narra uma parte importante da história romana e serviu de inspiração para arcos semelhantes pelo mundo. O Arco de Constantino faz parte de uma série de monumentos históricos fixados em Roma, que desperta no turista a sensação de desbravamento e coragem. O monumento foi especialmente criado para celebrar a vitória de Constantino contra Massenzio, na batalha pela Ponte Mílvia, em 312 d.C. e inaugurado dois anos depois, em 315 d.C. Neste período, o Império Romano encontrava-se dividido e Massenzio era o Imperador da capital italiana, enquanto Constantino era Imperador de Gália, Bretanha e Hispânia. Então, no ano de 315 d.C., com o triunfo de Constantino contra seu rival Massenzio, foi emerso o Arco de Constantino em sua homenagem, por uma decisão do Senado Romano. O local escolhido para posicionar o monumento foi precisamente onde ocorriam os chamados desfiles triunfais na era da Roma Antiga e que se findavam em uma farta celebração no Monte Capitolino. Fica estrategicamente ao lado do Coliseu. Ainda é próximo, também, do Palatino, considerado o berço da cidade romana e uma das partes mais antigas da cidade, compondo uma das sete colinas de Roma. O Arco de Constantino, situado na Via di San Gregorio, é considerado um dos pontos mais fotografados de Roma e, justamente pelo seu significado, possui um notável destaque entre os monumentos da cidade. O monumento, inclusive, serviu de inspiração para a construção do famoso Arco do Triunfo, construído por Napoleão em Paris, na França. Nos Jogos Olímpicos de 1960, que aconteceram entre agosto e setembro em Roma, o Arco de Constantino foi escolhido para representar a linha de chegada da Maratona. Uma curiosidade sobre o monumento é que um dos seus lados traz representações sobre guerra, enquanto o outro foi esculpido caracterizando a paz. Os dois opostos estão reunidos nessa imensa e surpreendente construção de mármore, repleta de detalhes. Também chama muito a atenção dos visitantes o seu excelente estado de conservação, sendo considerada uma das mais bem preservadas esculturas da cidade. Estima-se que as primeiras restaurações no Arco de Constantino foram feitas no século XVIII e a mais recente no final dos anos 1990. O Arco de Constantino é o arco mais moderno da capital, inspirado no Arco de Sétimo Severo, que fica em suas proximidades, no Fórum Romano. Foi construído em um conceito arquitetônico de reutilização e por isso possui em sua estrutura elementos de outras esculturas mais antigas da cidade, inclusive com cenas decorativas de outros imperadores, como Adriano e Marco Aurélio. O motivo para se reutilizar elementos e peças de outras esculturas se deu devido ao curto espaço de tempo para a sua construção, que iniciou em 312 d.C. sendo inaugurado em 315 d.C., fator que fez com que os arquitetos responsáveis pela criação do arco precisassem buscar soluções mais ágeis para erguer o monumento, inserindo elementos já anteriormente esculpidos para compor a grande obra. É um dos mais impressionantes monumentos de Roma, com 21 metros de altura, 25.9 metros de largura e 7.4 metros de profundidade. Na composição há três arcos de passagem, o central possui 11.5 metros de altura com 6.5 de largura, enquanto os arcos laterais possuem 7.4 metros de altura com 3.4 metros de largura cada um. Nos desenhos incorporados à escultura de mármore, Constantino foi representado como um bom imperador, de caráter piedoso e vitorioso. O ático, que é o elemento superior da fachada da construção, contém inscrições com homenagens a Constantino que indicam, segundo a narrativa histórica, que ele não era um conquistador, mas sim um homem que libertou Roma de quem a estava ocupando, chamando-o de “libertador da cidade” e “fundador da paz”. O local é cercado e protegido por guardas municipais, que tomam conta da construção para não ocorrerem atos de vandalismo e nem se ultrapasse o limite permitido de aproximação do monumento. Apesar disso, fica em um local aberto e pode ser facilmente acessado por grupos de turistas de todas as idades. É possível chegar ao local de ônibus e metrô, parando na estação Colosseo, que fica bem em frente ao grande Coliseu de Roma. Assim, você pode aproveitar e conferir três das atrações ali próximas: o Coliseu, o Monte Palatino e o Fórum Romano, e também conhecer o Arco di Costantino que é um ambiente de paisagem aberta e de livre acesso, com ampla área de circulação de pessoas, que vale a pena ser visitado. Um monumento como o Arco de Constantino representa aos visitantes um importante registro histórico de lutas e conquistas para as presentes e futuras gerações e abre na mente dos visitantes um mundo de descobertas e de resgate ao passado ao homenagear a história da humanidade. Uma das mais incríveis experiências que Roma proporciona é termos acesso à locais e ambientes não apenas documentados, mas materializados em nossa frente, o que nos permite usar nossa imaginação para compor aquela cena e refletir sobre seu papel no tempo e na história. Espero que o meu texto tenha inspirado você a conhecer essa grandiosa obra na capital italiana e que, quando for visitá-la, suas memórias permaneçam em suas melhores recordações. Me conte nos comentários qual outro ponto turístico da Itália você tem interesse em conhecer, ficarei feliz em escrever sobre outros monumentos históricos e assim te permitir saber mais sobre esse belíssimo país.

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